quarta-feira, 26 de outubro de 2011
SERÁ NO PRÓXIMO SÉCULO?
O nosso amor arrasou cidades. Éramos
muito jovens e pensávamos assim.
O mundo pertencia-nos. Ninguém
percebia mas nós viviamos contra
tudo - era um acto político.
Assim alguns seres no mundo
construíram vidas, amaram
e sofreram isolados, por vezes
espoliados, queimados na fogueira.
Mas o nosso amor resistirá
às fronteiras, aos muros de fogo
e à injustiça. Gostaríamos de viver
o tempo da verdadeira transformação,
da felicidade universal.
Isabel de Sá
REPETIR O POEMA, Edições Quasi, 2005
O nosso amor arrasou cidades. Éramos
muito jovens e pensávamos assim.
O mundo pertencia-nos. Ninguém
percebia mas nós viviamos contra
tudo - era um acto político.
Assim alguns seres no mundo
construíram vidas, amaram
e sofreram isolados, por vezes
espoliados, queimados na fogueira.
Mas o nosso amor resistirá
às fronteiras, aos muros de fogo
e à injustiça. Gostaríamos de viver
o tempo da verdadeira transformação,
da felicidade universal.
Isabel de Sá
REPETIR O POEMA, Edições Quasi, 2005
Só o lume dos teus beijos rompe
a treva onde a solidão nos mata.
Enrolamos a vida no escuro,
na semente de um amor atribulado.
Conhecemos o ritmo e a sede,
a convulsão do desamparo.
No sentido do corpo, no acerto
desce a força pelos braços
na violenta festa do prazer.
Tudo o que disseste
no desaforo da paixão
só podia incendiar a vida inteira
e encher de esperança o universo.
Isabel de Sá
REPETIR O POEMA, Edições Quasi, 2005
a treva onde a solidão nos mata.
Enrolamos a vida no escuro,
na semente de um amor atribulado.
Conhecemos o ritmo e a sede,
a convulsão do desamparo.
No sentido do corpo, no acerto
desce a força pelos braços
na violenta festa do prazer.
Tudo o que disseste
no desaforo da paixão
só podia incendiar a vida inteira
e encher de esperança o universo.
Isabel de Sá
REPETIR O POEMA, Edições Quasi, 2005
domingo, 23 de outubro de 2011
ALICE É ÚNICA. (Helena Vasconcelos - A Infância É Um Território Desconhecido)
(...) Alice é única. Não existe nenhuma personagem da História da Literatura que lhe chegue aos calcanhares. É a primeira heroína criança. É engraçada. É curiosa. É valente. É emotiva. Tem um apurado sentido da justiça. É esperta. É sentimental, É lógica. É rapariga. O seu contraponto masculino - e contemporâneo - é, sem dúvida Peter Pan. Mas as diferenças entre eles ultrapassam a mera questão de género. Alice, mesmo no País das Maravilhas é uma pessoa bastante real; Peter Pan, num universo quase «real» é apenas uma espécie de elfo; Alice é corajosa porque pensa; Peter Pan é corajoso porque não pensa. (...)
A Infância É Um Território Desconhecido - HELENA VASCONCELOS
(...) Convenhamos que o Deus das Moscas é uma narrativa muito desagradável; e muito bem escrita, o que potencia grandemente o seu impacto. Golding insinua - ou antes, afirma - que a perda de inocência não está directamente relacionada com a idade, mas tem, isso sim, uma correlação estreita com o momento em que se abarca a verdadeira dimensão da natureza humana.
O facto de Golding ter escolhido rapazes, alguns bem pequenos, para protagonizarem uma história tão terrível choca mais porque, à partida, pensamos sempre que as crianças são naturalmente «boas». Para além disso, a feroz alegoria de Golding pode aproximar-se da de George Orwell em Animal Farm (O Triunfo dos Porcos), que data de 1945 e é uma crítica feroz aos totalitarismos, sejam de esquerda ou de direita. No caso de Golding poder-se-á dizer que o Deus das Moscas, numa perspectiva política, é uma crítica à anarquia, mas este livro tem um carácter mais filosófico que o de Orwell, que é possível que Golding tenha lido. Poderia também considerar-se que Goldingquis dizer que as pessoas que se entregam à barbarie não estão desenvolvidas psicologicamente, não têm a maturidade dos adultos, supostamente responsáveis, como o incrédulo oficial da Marinha, no final do livro. Pela mesma lógica, a guerra, a violência, o confronto não civilizado seriam apanágio da imaturidade humana. (...)
Dois poemas de INÊS LEITÃO
Da pertença
A tua biblioteca com os olhos postos em mim desde que entrei na tua sala, os teus livros a dizerem entre si que nunca me tinham visto
(quem é aquela?)
a prenderem a respiração ao meu toque como se tu fosses o seu único digno proprietário e eu
(uma pequena invasora)
uma pequena invasora que os agarra docemente com as ponta dos dedos
à laia de carícia; alguém feito de carne, pele, ossos e unhas que lhes abre as folhas para os saber por dentro.
(uma pequena invasora)
uma pequena invasora que os agarra docemente com as ponta dos dedos
à laia de carícia; alguém feito de carne, pele, ossos e unhas que lhes abre as folhas para os saber por dentro.
Do Martírio
Explicar ao meu corpo que se podia acalmar e que sobreviveria sem ti se um dia o teu quarto cor de fruta desaparecesse da nossa frente para sempre e os teus olhos nunca tivessem existido
(o medo dos teus olhos a questionarem os meus)
(o medo dos teus olhos a questionarem os meus)
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Os Objectos Herdados
Sim, as coisas são o veículo de conhecimento, à medida que se dispõem experimentam o nosso pensamento e submetem à prova a nossa maneira de agir; disponho-as de certa maneira e já outras percepções surgem, mudo-as de lugar, estabeleço entre elas outras recíprocas relações, e já novos seres estão presentes e começam a exprimir-se (a mim) para que eu não os abandone, ou descreva, os mantenha, os reforce na sua realidade nascente; quando tudo por mim for abandonando (penso na morte), haverá objectos que, em outras casas que os herdaram, chamarão alguém a seu destino.
Maria Gabriela Llansol, Finita.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
A propósito da relação de Fernando Pessoa com Ofélia
«Agradeço a sua carta. Ela trouxe-me pena e alívio ao mesmo tempo.
Pena, porque estas coisas fazem sempre pena; alívio, porque, na verdade, a única solução é essa - o não prolongarmos mais uma situação que não tem já justificação do amor, nem de uma parte nem de outra.»
Ter Ofélia enquanto mulher, com corpo, desejo e sexo, implicaria outro nível de intimidade, que Pessoa parecia temer, como referido. Aliás, a infantilidade que caracteriza a vida amorosa do poeta só poderia ser preservada mantendo Ofélia como um «bebé» - banindo o erotismo (evitamento que poderia durar mais quanto tempo?) - e prosseguindo o amor que os unia como maternal. Assim, nessa mesma carta de despedida, Pessoa sugere:
«Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco como meninos, e (...) conservam sempre, num escaninho da alma, a memória profunda do seu amor antigo e inútil.»
Foi assim que o Super-Camões viu - ou pretendeu ver - o seu relacionamento com Ofélia. Como um «amor de meninos». « Inútil». Sem sexo. Inconsequente e desresponsabilizante, já que o amor adulto pressupõe reciprocidade.
Maníacos de Qualidade, Joana Amaral Dias, editora A Esfera dos Livros, Lisboa, 2010
Pena, porque estas coisas fazem sempre pena; alívio, porque, na verdade, a única solução é essa - o não prolongarmos mais uma situação que não tem já justificação do amor, nem de uma parte nem de outra.»
Ter Ofélia enquanto mulher, com corpo, desejo e sexo, implicaria outro nível de intimidade, que Pessoa parecia temer, como referido. Aliás, a infantilidade que caracteriza a vida amorosa do poeta só poderia ser preservada mantendo Ofélia como um «bebé» - banindo o erotismo (evitamento que poderia durar mais quanto tempo?) - e prosseguindo o amor que os unia como maternal. Assim, nessa mesma carta de despedida, Pessoa sugere:
«Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco como meninos, e (...) conservam sempre, num escaninho da alma, a memória profunda do seu amor antigo e inútil.»
Foi assim que o Super-Camões viu - ou pretendeu ver - o seu relacionamento com Ofélia. Como um «amor de meninos». « Inútil». Sem sexo. Inconsequente e desresponsabilizante, já que o amor adulto pressupõe reciprocidade.
Maníacos de Qualidade, Joana Amaral Dias, editora A Esfera dos Livros, Lisboa, 2010
Fragmento do romance A MORTE EM VENEZA de THOMAS MANN
(...) Não existe nada de mais estranho e espinhoso do que a relação entre pessoas que só se conhecem de vista - que diáriamente, mesmo hora a hora, se encontram, se observam e que têm assim de manter, sem cumprimentos e sem palavras, a aparência de desconhecimento indiferente, devido ao rigor dos costumes ou a caprichos pessoais. Entre elas existe inquietação e curiosidade exacerbada, a histeria da necessidade insatisfeita, anormalmente recalcada, de conhecimento e comunicação e sobretudo também uma forma de consideração tensa. Pois o ser humano ama e respeita o outro ser humano enquanto não está em posição de o julgar e o desejo é produto de um conhecimento insuficiente.
Necessariamente. (...)
Porque a beleza, Fedro, repara bem, só a beleza é divina e simultaneamente visível, e por isso ela é também caminho do artista para o espírito. Mas diz-me agora, meu querido amigo, acreditas que se pode atingir alguma vez a sabedoria e verdadeiro valor viril quando se caminha para o espiritual por via dos sentidos? Ou acreditas antes (e és livre de o decidir) que esse caminho é cheio de atraentes perigos, na realidade um caminho de desacerto e pecado, que conduz necessariamente ao erro? Pois tens de saber que nós, poetas, não podemos embarcar no caminho da beleza sem que Eros nos acompanhe e se arvore em líder; podemos bem ser herois à nossa maneira e guerreiros disciplinados, mas não deixamos de ser como as mulheres, pois a paixão é para nós sublimação e o nosso desejo deve permanecer amor - é esse o nosso prazer, é essa a nossa vergonha. Vês agora que nós, os poetas, não podemos ser sábios nem dignos? Que embarcamos necessariamente no erro, permanecemos necessariamente devassos e aventureiros do sentimento? A mestria do nosso estilo é mentira e logro, a nossa fama e respeitabilidade, uma farsa, a confiança da multidão em nós, altamente risível, a educação do povo e da juventude pela arte, um empreendimento ousado, a interdizer. Pois como podia prestar para educador aquele que possui uma tendência inata, incorrigível e natural para o abismo?
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Palavras do PAI da APPLE
O vosso tempo é limitado. Então não o desperdicem a viver a vida dos outros...Não deixem que o ruído das opiniões dos outros abafe a vossa própria voz interior.
Steve Jobs
Steve Jobs
domingo, 2 de outubro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A TESE !!! A POESIA NA POESIA DE POETAS PORTUGUESES
A minha querida amiga italiana Maria bochicchio vai defender a sua tese de Doutoramento em LITERATURAS E CULTURAS ROMÂNICAS, especialidade em LITERATURA PORTUGUESA, no dia 27 de Setembro, pelas 15 horas, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no Anfiteatro 2.
A dissertação intitula-se “ A POESIA NA POESIA DE POETAS PORTUGUESES: José Régio, Vitorino Nemésio, Carlos Queiroz, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny.
Orientação do Prof. Doutor Arnaldo Saraiva, e será arguida pelos Profs. Doutores Maria Paula Nina Mourão, Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Carlos Alberto Mendes deSousa, Professor Associado do Istituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho. Do júri fazem parte as Profs. Doutoras Rosa Maria Martelo Fernandes Pereira, Professora Associada com Agregação e Zulmira da Conceição TrigoGomes Marques Coelho dos Santos, Professora Associada com Agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
A dissertação intitula-se “ A POESIA NA POESIA DE POETAS PORTUGUESES: José Régio, Vitorino Nemésio, Carlos Queiroz, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny.
Orientação do Prof. Doutor Arnaldo Saraiva, e será arguida pelos Profs. Doutores Maria Paula Nina Mourão, Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Carlos Alberto Mendes deSousa, Professor Associado do Istituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho. Do júri fazem parte as Profs. Doutoras Rosa Maria Martelo Fernandes Pereira, Professora Associada com Agregação e Zulmira da Conceição TrigoGomes Marques Coelho dos Santos, Professora Associada com Agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
CARLOS QUEIROZ - FERNANDO PESSOA - O POETA E OS SEUS FANTASMAS
(...) Todos os poetas são acompanhados - às vezes, mesmo tiranicamente perseguidos - por entes invisíveis que se exprimem numa linguagem desconhecida, de natureza mais musical do que idiomática. Ouvir essas falas e, numa total concentração anímica - num estado a que ouso chamar de pura inconsciência lúcida - interpretá-las, é todo o acto de criação poética.
O exemplo de Rainer Maria Rilke, escutando, no castelo de Duino, em certa manhã tempestuosa, uma voz oculta que lhe ditou, inteiro, o verso inicial das suas famosas elegias : («Quem, se eu gritasse, me ouviria dentre as hierarquias dos anjos?»), transcende esse silêncio genético - só na essência rítmico - e eleva o fenómeno a uma altitude inacessível à compreensão dos mortais. Todavia, no plano em que Arthur Rimbaud afirmava a necessidade de o homem se tornar vidente para poder ser poeta, já a análise crítica pode penetrar e, aí, - mesmo através do satanismo de quem se propusera, por esse meio, divinizar-se - descobrir uma alma inocente e ansiosa de Deus, como fez o ensaísta católico Jaques Rivière, que via no extraordinário poeta de Uma Estação no Inferno (palavras suas) « um maravilhoso introdutor no Cristianismo».
Rolland de Renéville, no seu livro de ensaios L'Expérience Poétique, diz o seguinte« Poetas e Místicos»: - «O estudo da inspiração revelou-nos que certos poetas se abandonam à corrente da sensibilidade e das paixões até ao instante em que ressoa aos seus ouvidos uma voz que parece exterior ao seu espírito, enquanto que outros, ao contrário, se esforçam por realizar, com uma atenção suspensa, a construção verbal que premeditaram. Estas opostas diligências levam-nosà obtenção duma realidade única: a Poesia. Sabemos, por outro lado, através das confidências dos místicos (continua Renéville), que o êxtase os prende, tanto no momento em que deixam agir sobre eles o que chamam a graça divina, como quando se esforçam, com voluntária meditação, por chegar à contemplação da entidade que perseguem.» Rolland de Renéville classifica de método passivo aquele que corresponde ao primeiro estado – tanto de inspiração como de êxtase místico – e de método activo o que corresponde ao segundo.
A obra poética de Fernando Pessoa e, sobretudo, as suas confidências pessoais sobre o assunto, fazem-nos crer que a sua inspiração pertencia – pela constância com que ele era acompanhado por esses entes incoercíveis a que há pouco aludi – quase exclusivamente à primeira espécie.
Mas, além dessas entidades (que nada e ninguém nos autoriza a garantir que sejam anjos ou demónios), outras, não menos abstractas e assíduas, perseguiam o seu espírito. Criadas pela imaginação necessariamente anormal, revelavam-se-lhe, talvez por isso mesmo, com mais sensível consistência, quase corpóreas, quase humanas. Não eram, somente, suas criaturas, mas seus desdobramentos anímicos, não eram somente os «eus parciais» a que Freud se referiu – comandados e passivos – mas eus parciais autónomos e criadores.
É a isto que eu chamo os fantasmas de Fernando Pessoa, num sentido diverso do que o mestre da psicanálise atribuiu à mesma palavra no seu ensaio: A criação literária e o sonho acordado». Para ele, Freud, fantasmas são as fantasias originárias de desejos insatisfeitos que os homens acalentam dissimuladas, como prolongamentos do mundo infantil dos jogos solitários; são os substitutos da realidade apetecida e nunca alcançada: são, numa palavra (que é, aliás, um sinónimo seu); os castelos em Espanha dos adultos.
Ao que eu designo por fantasmas, chamou-lhes F.P. sub-personalidades ou heterónimos cujo significado exprimiu assim:- «A obra pseudónima é do autor em sua pessoa; é de uma individualidade completa fabricada por ele, como o seriam os dizeres de qualquer personagem de qualquer drama seu.»
Fabricada por ele, disse Fernando Pessoa. Sinceramente? Fingindo?Ou fingindo que fingia?Isto foi escrito em 1928. (…)
Organização, introdução, leitura e notas de Maria Bochicchio, edição ÁTICA/ Babel, Lisboa, 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
Fragmento do livro LILLIAS FRASER da escritora HÉLIA CORREIA
"Lillias extinguia dentro de si mesma a vigilância de que precisara para fazer o caminho até ali. E aquela fraqueza que a tomava, em vez de a assustar, trazia o embalo da sua infância ao colo de Margaret. «Que nome tem vossemecê?»
- Blimunda - disse a mulher. - Blimunda Sete-Luas.
- É um bonito nome - disse Lillias. Quis pegar-lhe na mão, porém Blimunda já não estava a seu lado. O próprio fogo se tornava invisível, devagar.
Lillias sentiu os olhos de Blimunda e acordou. Ela sorria-lhe outra vez. «A criança está bem. De hoje em diante, eu tomo conta de vocês as duas.»
- Que criança, senhora? - disse Lillias.
- A que tu, Lillias Fraser, vais parir.
- Como pode sabê-lo?
- Vejo dentro do corpo das pessoas quando estou em jejum - explicou Blimunda.
- Eu vejo a morte - disse Lillias.
Blimunda Sete- Luas inclinou-se e tocou-lhe com os dedos na camisa. «Então sou mais feliz que do que tu és. De hoje em diante só verei este menino.»
in LILLIAS FRASER, RELÓGIO D'ÁGUA, Lisboa, 2001
- Blimunda - disse a mulher. - Blimunda Sete-Luas.
- É um bonito nome - disse Lillias. Quis pegar-lhe na mão, porém Blimunda já não estava a seu lado. O próprio fogo se tornava invisível, devagar.
Lillias sentiu os olhos de Blimunda e acordou. Ela sorria-lhe outra vez. «A criança está bem. De hoje em diante, eu tomo conta de vocês as duas.»
- Que criança, senhora? - disse Lillias.
- A que tu, Lillias Fraser, vais parir.
- Como pode sabê-lo?
- Vejo dentro do corpo das pessoas quando estou em jejum - explicou Blimunda.
- Eu vejo a morte - disse Lillias.
Blimunda Sete- Luas inclinou-se e tocou-lhe com os dedos na camisa. «Então sou mais feliz que do que tu és. De hoje em diante só verei este menino.»
in LILLIAS FRASER, RELÓGIO D'ÁGUA, Lisboa, 2001
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
HÉLIA CORREIA - frase lapidar do livro LILLIAS FRASER
As ideias, para um homem, eram como o amor para as mulheres: desordenavam as prioridades e resultavam sempre no desastre.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)












































