terça-feira, 6 de outubro de 2015
domingo, 27 de setembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
IMAGENS
Imagens de seres humanos...
boiam nos rios como bonecos
de plástico. É a Vergonha
a toda a hora na televisão.
Os soldados abrem valas comuns,
as escavadoras levantam corpos
que se despedaçam. Não vão esquecer,
nunca mais dormirão como dantes.
O cheiro, os abutres
na berma da estrada a criança
só que ninguém vê. Deve ser
o fim do Mundo ou o princípio
de qualquer outra coisa.
Isabel de Sá
in Erosão de Sentimentos, Editorial Caminho, Lisboa, 1997.
Poema de Isabel de Sá
Dizei às crianças que venham com seus trajes fúnebres, grinaldas, tudo branco.
Dizei-lhes que subam sem receio as escadas do meu sono
porque amo as crianças nos rituais de morte....
Dizei-lhes que subam sem receio as escadas do meu sono
porque amo as crianças nos rituais de morte....
in Esqizo/Frenia, &etc, Lisboa, 1979.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Poema de Isabel de Sá
Fui à rua buscar a morte que andava desaustinada pelas paredes como um cão raivoso. Ofereci-lhe o braço, trouxe-a comigo, fi-la minha amante. Num leito de linho nos deitámos e em segredo me falou dias seguidos sobre a sua infância, a solidão debaixo da terra, o amor pela natureza. Explicou-me como acariciava os bichos comedores de cadáveres e dessa alegria maliciosa.
A morte passou a ter para mim muita importância. Comecei a vesti-la de alvas roupas, coser-lhe flores ao crânio, amando-lhe a face lívida, iniciando-a numa sensualidade sem fim.
Então, numa manhã a Morte sorriu mostrando nos seus lábios o seu carácter perfeito, isento de mesquinhez; beijou-me a boca, as pernas, o coração. Perturbou-me.
No meu interior países fervilharam, milhões de rostos se viraram à luz:
Tudo era claro como nunca sucedera.
Começara outra vida: dera-se a iluminação.
Então, numa manhã a Morte sorriu mostrando nos seus lábios o seu carácter perfeito, isento de mesquinhez; beijou-me a boca, as pernas, o coração. Perturbou-me.
No meu interior países fervilharam, milhões de rostos se viraram à luz:
Tudo era claro como nunca sucedera.
Começara outra vida: dera-se a iluminação.
In Esquizo Frenia, &etc, Lisboa, 1979.
domingo, 23 de agosto de 2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
sábado, 8 de agosto de 2015
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
ANA HATHERLY - 1929 - 2015 - Uma notícia triste! Tive o privilégio de a ouvir em Serralves. Era uma mulher lindíssima e a sua aura enfeitiçava quem a ouvia! Terminou o seu tempo neste lugar terreno. O expoente máximo da POESIA VISUAL Portuguesa! A foto FABULOSA de ANA HATHERLY tirada por Graça Sarsfield. Para mim recordar um artista, poeta ou pintor, músico, em geral, será sempre pela ideia da melhor imagem! Acho chocante utilizar-se imagens das fases terminais, no facebook, blogs ou jornais! Podem dizer que é preconceito da minha parte, eu digo que é AFECTO e RESPEITO! Para mim Ana Hatherly será sempre a foto de Graça Sarfield no belíssimo volume "Vozes e Olhares no Feminino", lançado no Porto 2001 -Capital da Cultura e organizado por Paulo Cunha e Silva, Isabel Pires de Lima e Rosa Alice Branco. Um momento inesquecível de CULTURA!
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