domingo, 31 de julho de 2016

ESPAÇO MIRA FORUM - Apresentação da revista Submarino por Jorge Velhote e António Fournier. Poemas lidos em italiano por Maria Bochicchio. Nas fotos Maria João Reynaud, Graça Martins, Maria Bochicchio, Jorge Velhote, António Fournier, Amadeu Baptista e Manuela Matos Monteiro. Julho de 2016. Porto.


Fotografias de Richard Tuschman - Hopper Meditations



Fotografias e texto de Richard Tuschman

 Hopper Meditations


Fotografias e texto de Richard Tuschman
Hopper Meditations” é uma resposta fotográfica pessoal ao trabalho do pintor americano, Edward Hopper. Suas pinturas, com uma grande economia de meios, são capazes de abordar os mistérios e complexidades psicológicas da condição humana.
Posando uma ou duas figuras em cenários humildes e íntimos, ele cria cenas silenciosas, psicológicamente convicentes e com narrativas abertas. Os estados emocionais das personagens, por vezes, parecem vacilar paradoxalmente entre reverência e alienação, ou talvez entre saudade e resignação. Uma iluminação dramática eleva as conotações emocionais, mas qualquer interpretação final é deixada por conta do espectador. Destas qualidades parece Richard Tuschman tentar imbuir em suas próprias imagens.
De maneiras distintas, no entanto, as imagens deste parecem divergir das pinturas de Hopper. O clima geral em seu trabalho é mais sóbrio, e a iluminação é menos crua que a de Hopper. Tuschman busca atingir um efeito talvez mais próximo do chiaroscuro de Rembrandt, um pintor que este admira profundamente. Em seu caso, a iluminação age quase como como mais uma das personagens, não apenas iluminando a forma das figuras, mas também ecoando e evocando suas vidas interiores.
As imagens de Tuschman parecem fazer parte de pequenas peças, com as figuras como atores em peças de apenas uma ou duas personagens. Estas, por sua vez e por aparência, tem suas raízes no passado, algures em meados do século XX de Hopper. Isto argumenta o efeito de sonho e montagem de suas cenas. Os temas evocam, portanto — solidão, alienação, saudade— são atemporais e universais.

Fotografias de Richard Tuschman - Hopper Meditations


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Nuno Artur Silva

 "Como dizia um escritor que saiu de moda, interessa-me imenso o futuro, porque é lá que vou morar. (...) Um criador vive profundamente o seu tempo, seja ele qual for. Conheço criadores que vivem no século XIX, outros no sécculo XX, outros no século XXI, mas no Suriname, ou em Neptuno, ou em 1968, da parte da tarde. (...) Para saber o futuro, antigamente, viam-se as entranhas dos pássaros, deitavam-se as cartas ou tomava-se um café com o professor Marcelo. Hoje fazem-se estudos, contratam-se empresas de consultadoria, especialistas em marketing, marcas e mercados... O que é divertido é que tudo isso não vale uma boa ideia. Uma boa ideia nova posta em prática é a única coisa que muda realmente o futuro."

Ideias para o futuro (suplemento do Semanário Económico, 2009).

O FUTURO!


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Poemas de Isabel de Sá na Antologia de Poesia Portuguesa organizada por Inês Pedrosa "Poemas de Amor".


Poema de Isabel de Sá na Antologia de Poesia Portuguesa "Poemas de Amor", organizada por Inês Pedrosa.

REALIDADE


Por causa de um livro
vieste ao meu encontro.
Era Verão, não sabias de nada
nem isso interessava. Palavras
amavam-se fora de ti,
no atropelo das emoções.
Lá chegaria a primeira vez,
o encontro apressado num lugar
público. Desfeito o erro
ao toque da pele, não sei
se havia medo, a paixão queria-me
no lugar exacto do teu coração.
Palavras enrolam-se na sombra
da vida a dor do sentimento.
Atingido o espírito, o tempo
da infância, a realidade. Em ti
a solidão que o prazer
não mata. Quero a beleza
dos versos revelada.
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê.
Isabel de Sá, in “Erosão de Sentimentos”Editorial Caminho. Lisboa.