Desenho de RUI PAES Colecção Particular de Graça Martins
Dois poemas de EUGÉNIO DE ANDRADE
O SORRISO
Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta. Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele, tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso. Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
DE PASSAGEM
Os Dioscuros. Eu vi-os numa praça de Roma, era de noite levavam os cavalos pela mão. O seu olhar era oblíquo à passagem das raparigas, mas era um para o outro que sorriam.
OS DIOSCUROS Desenho de RUI PAES Colecção Particular de Graça Martins