terça-feira, 7 de julho de 2009

DOIS POEMAS DE EUGÉNIO DE ANDRADE

O AMOR

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.

A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.

A marcar sobre os teus flancos
o itinerário da espuma.

Assim é o amor: mortal e navegável.

1 comentário:

loris disse...

obrigado pelos poemas. eugénio de andrade é uma escolha perfeita