sábado, 23 de abril de 2011

UMA NOITE



O quarto era ordinário, miserável,
escondido por cima da taberna dúbia,
e o beco via-se, estreito e sujo,
pelo postigo. Lá de baixo
as vozes vinham de alguns operários
jogando às cartas e bebendo.


Aí, na enxerga reles, tão usada,
tive o corpo do amor, eu tive os lábios,
os sensuais lábios tintos de um prazer
tão embriagador, que neste instante,
ao escrever aqui, depois de tantos anos,
na solitária casa, ébrio estou outra vez.


Constantino Cavafy


Tradução de Jorge de Sena, Editorial Inova, Porto

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