
sábado, 22 de janeiro de 2011
MAX SAUCO
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Foram numerosas as mulheres artistas, actrizes, escritoras, fotógrafas, pintoras, performers e videoartistas que quiseram explorar as fronteiras culturais da feminilidade e incorporar masculinidades. Entre estas temos Vesta Tilley, Rosa Bonheur, George Sand, Claude Cahun e mais recentemente Eleanor Antin, Adrian Piper, Cecilia Dougherty, Nan Goldin, Cindy Sherman, Laurie Anderson, Suzie Silver e Aurora Reinhard. Houve diversos motivos e estratégias adoptados, por razões de sobrevivência material, pelo desejo de incorporar um self activo que a sociedade negava às mulheres, como estratégia política e transgressiva, como recusa de aceitação e actualização dos estereótipos associados aos papéis de género, como recusa do binómio masculino/feminino imposto pela normatividade heterossexual ou por uma questão de internalização da identidade de género masculina.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
MEDITAÇÃO COM NATUREZA MORTA
a Fátima Maldonado
a toalha de mesa surge no primeiro plano
e a pálpebra semiaberta de um fruto perde-se
no amargo traço de uma boca que assinala
o tempo
organizo
os frutos em sequência de cor
primeiro os azuis cobalto e os negros depois
os amarelos das ardentes fúcsias evocam
misteriosas presenças
pouso os pincéis perto da janela
avisto uma folha de revista à chuva e
no vento três pêssegos movem-se
ao fundo
as mãos líquidas revelando quem medita
sentado sob o melancólico pes da luz
que constroi e define a casa
Al Berto
O MEDO, Contexto, Lisboa, 1987
a toalha de mesa surge no primeiro plano
e a pálpebra semiaberta de um fruto perde-se
no amargo traço de uma boca que assinala
o tempo
organizo
os frutos em sequência de cor
primeiro os azuis cobalto e os negros depois
os amarelos das ardentes fúcsias evocam
misteriosas presenças
pouso os pincéis perto da janela
avisto uma folha de revista à chuva e
no vento três pêssegos movem-se
ao fundo
as mãos líquidas revelando quem medita
sentado sob o melancólico pes da luz
que constroi e define a casa
Al Berto
O MEDO, Contexto, Lisboa, 1987
não
não tenho medo de morrer aqui
nem receio os cães velocíssimos de guarda
ás azenhas não reveladas de teu corpo...
...medo da memória
sim...receio que as cabeças tristes dos galgos
aqueçam na fulguração breve dos relâmpagos
e corram repentinamente para fora do papel fotográfico
destruindo estes preciosos trabalhos do olhar...
Al Berto
não tenho medo de morrer aqui
nem receio os cães velocíssimos de guarda
ás azenhas não reveladas de teu corpo...
...medo da memória
sim...receio que as cabeças tristes dos galgos
aqueçam na fulguração breve dos relâmpagos
e corram repentinamente para fora do papel fotográfico
destruindo estes preciosos trabalhos do olhar...
Al Berto
O MEDO, Contexto, Lisboa, 1987
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
2
a escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente...areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada
esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
a língua de limos
espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rasto de esperma à beira-mar
outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do crepúsculo
Al Berto
a escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente...areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada
esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
a língua de limos
espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rasto de esperma à beira-mar
outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do crepúsculo
Al Berto
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
CLUBE 3C - PORTO
Mais um espaço lindo e cool na cidade do Porto.
Já todos sabem que ADORO LISBOA, e a forma de estar, mais cosmopolita...
mas fico feliz, quando a cidade onde vivo revela sinais de cultura urbana.
Este espaço tem a particularidade de ter sido decorado pela estilista HELENA CARDOSO, a mesma do espaço no feminino com
CLUBE 3C - RUA CÂNDIDO DOS REIS, 18
www.clube3c.pt
CLUBE 3C - RUA CÂNDIDO DOS REIS, 18
www.clube3c.pt
domingo, 9 de janeiro de 2011
3 registos diferentes a propósito do meu trabalho plástico
3 Olhares sobre a exposição
BROKEN HEARTS BLOODY HEARTS
(Galeria JOÃO PEDRO RODRIGUES)
João Borges ( texto para o catálogo de Graça Martins - 29 de Outubro de 2010)
Valter Hugo Mãe ( JL de 17 de Novembro de 2010)
Isabel de Sá ( Revista Bombart - nº11 Novembro/Dezembro de 2010)
BROKEN HEARTS BLOODY HEARTS
(Galeria JOÃO PEDRO RODRIGUES)
João Borges ( texto para o catálogo de Graça Martins - 29 de Outubro de 2010)
Valter Hugo Mãe ( JL de 17 de Novembro de 2010)
Isabel de Sá ( Revista Bombart - nº11 Novembro/Dezembro de 2010)
Palavras de João Borges
Estamos perante um universo de desencontros, nos vários sentidos que esta palavra pode ter. Desencontros com as convenções sociais, o desencontro com o consciente que representa o sono, o desencontro entre pessoas e o desencontro próprio, da vida quando interceptada pela morte, em verdadeiras situações limite. E o que une estes desencontros, senão aquilo que temos dentro de nós: afectos, sentimentos, ideias, defesas? É este um dos pontos mais interessantes da pintura de Graça Martins: numa pose quase psicanalítica, ela mostra-nos como o que está dentro de nós pode salvar-nos ou destruir-nos, e não há nada mais violento. (...)
Palavras de Valter Hugo Mãe
Os quadros da Graça Martins sugerem-nos, por vezes, a ilusão da efemeridade por serem tão assentes no desenho e na sua filigrana por aludirem à fragilidade, à vulnerabilidade, à necessidade de cuidar ou de amar alguém. Expõe duas séries, uma com alguns anos, em que protagoniza um menino muito novo, e outra mais recente, em que protagoniza um jovem. De comum, mantém o lado floral e vulnerável, de distinto, o dramatismo acentuando-se no jovem, que pode mesmo ser visto, na tela My killer my lover, assassinado e ensanguentado Se o amor é o grande predador, ou se somos nós próprios o nosso grande predador por enfraquecermos às mãos de alguém, será tópico que a Graça Martins explora, magoando pela junção muito impressiva da tragédia do belo. A beleza encantatória das suas imagens é ferida pela eminência da lâmina, pelo borrão do sangue, pela cal da pele no corpo já desabitado. O que mais me fascina no excelente trabalho da Graça Martins é o modo como nos deslumbra com aquilo que, afinal, é assustador. Assusta-nos mais ainda por ser hábil a fazê-lo com o isco da beleza, como se não fôssemos capazes de deixar de nos apaixonarmos, pelas suas figuras, pela cor, pela precisão obstinada do traço do pincel. (...)
Palavras de Isabel de Sá
A obra de Graça Martins é perfeccionista, rigorosa até ao limite, exalta a beleza, a sensualidade e a paixão tal como o drama - mas sempre com elegância e requinte. Há uma poética pairando sobre os rostos, o corpo e todos os elementos usados no seu vocabulário pessoal.(...)
Palavras de LAURO ANTÓNIO
As palavras mais sensíveis que li nestes dias a propósito da morte do jornalista Carlos Castro e da tragédia que envolve essa morte.
sábado, 8 de janeiro de 2011
CLARICE LISPECTOR
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. ...Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
O Livro dos Amantes
IX
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
Natália Correia
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