quarta-feira, 10 de setembro de 2008

OS CADERNOS DE MALTE LAURIDS BRIGGE

de RAINER MARIA RILKE
(...)
Por amor de um verso têm que se ver muitas cidades, homens e coisas, têm que se conhecer os animais, tem que se sentir como as aves voam e que se saber o gesto com que as flores se abrem pela manhã. É preciso poder tornar a pensar em caminhos em regiões desconhecidas, em encontros inesperados e despedidas que se viram vir de longe, - em dias de infância ainda não esclarecidos, nos pais que tivemos que magoar quando nos traziam uma alegria e nós a não comprendemos (era uma alegria para outro-), em doenças de infância que começam de maneira tão estranha com tantas transformações profundas e graves, em dias passados em quartos calmos e recolhidos e em manhãs à beira-mar, no próprio mar, em mares, em noites de viagem que passaram sussurrando alto e voaram com todos os astros, - e ainda não é bastante poder pensar em tudo isto. É preciso ter recordações de muitas noites de amor, das quais nenhuma foi igual a outra, (...) E também não é ainda bastante ter recordações. é preciso saber esquecê-las quando são muitas, e é preciso ter a grande paciência de esperar que elas regressem. Pois que as recordações mesmas ainda não são o que é preciso. Só quando elas se fazem sangue em nós, olhar e gesto, quando já não têm nome e já se não distinguem de nós mesmos, só então é que pode acontecer que, numa hora rara, do meio delas se erga a primeira palavra de um verso e saia delas.
(...)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O FOTÓGRAFO HELMUT NEWTON

FOTOS DE MODA E DE CELEBRIDADES







AS FOTOS DE MODA DE

HELMUT NEWTON





JODIE FOSTER por NEWTON



As fotos de HELMUT NEWTON

David Lynch e Isabella Rossellini


ANDY WARHOL por NEWTON


As fotos de HELMUT NEWTON

MICK JAGGER



CESARE PAVESE

Verrà la morte e avrà i tuoi ochi


Verrà la morte e avrà i tuoi ochi.
questa morte che ci accompagna
dal mattino alla sera, insonne,
sorda, come un vecchio rimorso
un vizio assurdo. I tuoi occhi
saranno una vana parola,
un grido taciuto, un silenzio.
Così li vedi ogni mattina
quando su te sola ti pieghi
nello specchio. O cara speranza,
quel giorno sapremo anche noi
che sei la vita e sei il nulla.

Per tutti la morte ha uno sguardo.
Verrà la morte e avrà i tuoi ochi.
Sarà come smettere un vizio,
come vedere nello specchio
riemergere un viso morto,
come ascoltare un labbro chiuso.
Scenderemo nel gorgo muti.
As MULHERES PÁSSARO

de MAX ERNST




O SURREALISMO DE MAX ERNST



SURREALISMO

As Mulheres de André Delvaux




As Mulheres de ANDRÉ DELVAUX
têm toda a paciência para esperar


Delvaux


SURREALISMO DE ANDRÉ DELVAUX


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

PAUL KLEE

Jardins da Tunísia


8 de SETEMBRO 8 de SETEMBRO

Poema de ISABEL DE SÁ

A Bola Multicolor

No dia em que completei oito anos
de idade e a nossa criada
me deu de presente uma bola multicolor,
corri pela praia sentindo a leve brisa
de Setembro. E dessa manhã ficou
no álbum a fotografia
que raramente vejo.

O vento na folhagem, no caule das flores,
a voz de crianças. E tu sobre a folha
desenhando o retrato
daquele que escreveu Indícios de Oiro.
SETEMBRO SETEMBRO SETEMBRO

Poema de WALT WHITMAM

Por Caminhos Não Percorridos

Por caminhos não percorridos,
Pela vegetação das margens das lagunas,
Fugindo da ostensiva vida,
De todas as normas já promulgadas, dos prazeres, benefícios, convenções
Tudo isso com que, demasiado tempo, alimentei a minha alma,
Convencido enfim de que as normas ainda promulgadas, convencido de que a minha alma,
De que a alma do homem por quem falo descobre a alegria nos companheiros,
Aqui, a sós, longe do tumulto do mundo,
Em harmonia com as aromáticas línguas que me falam,
Sem envergonhar-me mais (pois neste lugar distante, como em nenhum outro posso
abandonar-me
Entregue à vida que não se revela ainda que tudo contenha
Decido-me hoje a cantar apenas os cantos de viril afecto,
Projectando-os ao longo da plena vida,
Legando, desde já, as formas de másculo amor,
Pela tarde deste delicioso Setembro dos meus quarenta e um anos,
Dirijo-me a todos os homens que são ou foram jovens,
Conto-lhes o segredo das minhas noites e dos meus dias,
Celebro a necessidade de companheiros.

SETEMBRO E POEMAS QUE FALAM DE SETEMBRO

Poema de RUY BELO

O Testamento de Elvira Sanches

Relatório de Contas

Setembro é o teu mês, homem da tarde
anunciado em folhas como uma ameaça
Ninguém morreu ainda e tudo treme já
Ventos e chuvas rondam pelos côncavos dos céus
e brilhas como quem no próprio brilho se consome
Tens retiradas hábeis, sabes como
a maçã se arredonda e se rebola à volta do que a rói
Há uvas há trigo e o búzio da azeitona asperge em leque o som inabalável
nos leves ondulados e restritos renques das mais longínquas oliveiras conhecidas
Poisas sólidos pés sobre tantas traições e no entanto foste jovem
e tinhas quem sinceramente acreditasse em ti
A consciência mói-te mais que uma doença
reúnes em redor da casa equilibrada restos de rebanhos
e voltas entre estevas pelos múltiplos caminhos
Há fumos névoas noites coisas que se elevam e dispersam
regressas como quem dependurado cai da sua podridão de pomo
Reconheces o teu terrível nome as rugas do teu riso
começam já então a retalhar-te a cara
Despedias poentes por diversos pontos realmente
És aquele que no maior número possível de palavras nada disse
Comprazes-te contigo quando o próprio sol
desce sobre o pátio e passa tantas mãos na pele dos rostos que tiveste
Repara: não esbarras já contra a cor amarela?
Setembro na verdade é mês para voltar
Podes tentar ainda alguns expedientes respeitáveis
multiplicar diversas diligências nos ameaçados cumes dos outeiros
ser e não ser fugir do rótulo aceitar e esquivar o nome fixo
E no entanto é inevitável: a temperatura descerá mais dia menos dia
Calas-te então cumprido como um rosto e puxas toda a tarde
sobre esse corpo que se estende e jaz
Andaste de lugar para lugar e deste o dito por não dito
mas todos toda a vida teus credores saberão onde encontrar-te
pois passarás a estar nalguma parte
Tens domicílio ali que a terra sobe levemente
e toda a tua boca ambiciosa sabe e sente quanto barro encerra

domingo, 7 de setembro de 2008

Poema de ISABEL DE SÁ

Naquele Novembro
Na véspera dos meus trinta e oito anos pensei nos poemas de Ruy Belo. E também eu quis escrever "Homenageio a tua primavera em flor". Passei o dia a desejar-te, amei o corpo adolescente.
À luz do candeiro eu e ela falamos da nostalgia que virá por estas horas passadas junto à praia, pela imagem dos grãos de areia na sombra fulva que te cobre o sexo.
Nossos corpos perpetuam o amor, as palavras que celebram o encontro. O meu gesto, naquele Novembro em que a morte visitou as nossas vidas.

Repetir o Poema, Quasi Edições, 2005

Pintura de Gustav Klimt
O Menino e a Boneca de Graça Martins


Caixa de Bonecas de Graça Martins


HANS BELLMER


AS BONECAS DE HANS BELLMER

O mais fascinante - ou chocante - nas bonecas é a sua composição e alienação com o meio onde se inserem. Algumas têm apenas uma perna, ou quatro pernas e nenhuma cabeça, ou encontram-se penduradas ou intercruzadas entre si. Não existe fronteira no processo de construção narrativa das esculpturas sendo que se gravita entre um desprendimento e castração total do corpo e/ou matéria até uma corporalidade histérica e extremamente assimilativa entre orgãos e membros diversos. A ambivalência sexual destas peças é marcada por uma veia sádica e fetichista. Como se as bonecas funcionassem como um alter-ego de Bellmer no qual são projectadas as suas mais obscuras perversidades.Estes corpos plásticos e fragmentados são também personificações móveis, passíveis, adaptáveis, articuláveis e incompletos. Formas que assumem estados psicosexuais de pura obsessão. Bellmer procurava despertar a inocência da infância. O redescobrir do corpo e da sexualidade. Desde a aparição dos pêlos púbicos, às zonas avermelhadas e rosas e a sua função divertida no corpo de uma criança inconsciente. Este estado naïve das crianças a que ele chamava de "jardim maravilhoso" era um fascinante motivo de estudo e curiosidade. Era também um caso mal resolvido de atracção sexual entre o artista e a prima Ursula de 15 anos. As bonecas foram o resultado criativo dessa sublimação sexual.Ao criar as bonecas Bellmer deu igualmente vida a uma homenagem ao corpo feminino, ainda que distorcido e manipulado, não deixava de levantar questões sobre as diferenças aparentes entre o físico masculino e o feminino.A brutalidade implícita nestas esculturas é evidente. Sugerem maus-tratos, violação ou abuso. A pergunta que perdura é: quem é responsável pela nudez e condição destas bonecas? A coexistência entre o perverso e o banal sugerem um roubo da inocência contida em brinquedos e ambientes infantis, algo que à partida se espera ver puro e imaculado. Livre de violência. Como se o confronto com estas imagens alertasse para a fácil usurpação simbólica da virgindade destes objectos e dos espaços fotografados.Tanto ou mais interessante que as suas bonecas, Hans Bellmer desenvolve uma teoria que procura explicar a anatomia do corpo inconsciente. A constituição humana é naturalmente propicia a que determinadas zonas se encontrem escondidas ou pouco acessíveis, o artista adverte que uma vez pervertendo esta concepção racional e deformando a nossa anatomia original, seria bem passível de se trocar algumas zonas por outras que tivessem a mesma representação simbólica. A zona axilar pela pélvica, por exemplo. Esta transgressão orgânica de zonas erógenas era explicada por Bellmer pela mesma razão que pessoas amputadas sentem um registo e sensação de membros desaparecidos. As imagens dos membros em falta são suprimidas fisicamente, mas a nível psíquico continuam a exercer efeitos activos e psicossomáticos. A comprovação da inseparabilidade entre corpo e mente.Desiludido com o mundo, num lugar onde a transgressão e o imaginário têm lugar, Bellmer teve a capacidade de catapultar as suas criações para além de um universo fantasioso de um mestre Gepeto construindo o seu Pinóquio. As bonecas expõem abertamente um desejo libidinoso contido num estado híbrido que deambula entre o real e o virtual.O que torna ameaçadoras estas criações não é a fragmentação do corpo mas antes o que está escondido no escuro da psique de Bellmer. A realização das suas paixões suprimidas ganham forma e deixam de ser um mapeamento cognitivo passando a ser algo factualmente real - embora inerte - do desejo violento de um homem em trazer a este mundo algo interior e expor esse desejo abertamente. Trata-se dum confronto e identificação do desejo. Um estudo surreal de uma profundidade negra mas patente em cada um de nós. É perturbador, mas ao mesmo tempo familiar. Olhar sobre as bonecas e admitir a sua beleza artística equivale a uma transcendência de bem e de mal, é uma anulação da repressão sexual.Afinal, não serão estas bonecas bem menos ofensivas que qualquer filme porno? Onde está então a violência? Na arte, ou implícita no observador?Este estilo que procura fugir à lógica forçando a livre associação não passa de um apêndice de configuração doente e duvidosa do mundo onde vivemos. De uma erotização degenerada. Não há sangue, tripas, é apenas trágico e dramático. Demasiado real? Objectos inanimados com capacidades ultra-realistas. Mas Bellmer explica-se bem, "se a origem do meu trabalho é um escândalo, é porque, para mim, o mundo é um escândalo."
Texto retirado do blog Absurd Moment


Uma das primeiras bonecas


As Bonecas de Bellmer

"Eu penso que as diferentes categorias de expressão - postura, movimento gesto, acção, som, palavra, imagem visual, disposição dos objectos - nascem todas do mesmo mecanismo, e que a sua origem apresenta uma estrutura similar."
Hans Bellmer
A imaginação erótica do artista alemão Hans Bellmer data do início dos anos 20, altura em que trabalhava como ilustrador e designer gráfico para companhias editoriais em Berlim.
O tema central da sua obra, a erotização do corpo e o interesse por raparigas mecânicas, coincide com a idealização surrealista da feminilidade infantil e inocente. A mente inalterada, pura e instantânea. Este era o assunto que inspirava o estilo e revolta do movimento surrealista que procurava contornar as forças do racionalismo. Debate que anos mais tarde Bellmer iria apropriar-se ao entrar em contacto com os intelectuais parisienses ligados a André Breton. A primeira boneca (Die Puppe) surgiu em 1933. A aparição das bonecas na vida de Bellmer deu-se por três motivos: um encontro com uma prima afastada, Ursula Naguschewski, que foi viver para Berlim em 1932; assistir a uma performance de Jacques Offenbach's "Tales of Hoffmann", em que o protagonista se apaixona tragicamente pela autómata Olympia, e um descarregamento de uma caixa de brinquedos enviada pela mãe de Bellmer deixando-o em extâse.Fascinado com a nostalgia e saudade de tempos passados Bellmer adquiriu uma necessidade de "construir uma rapariga artificial com possibilidades anatómicas. Capaz de reinventar os maiores níveis de paixão e de estimular novos desejos".E assim foi. Bellmer pediu auxílio à prima e juntos tiraram mais de 100 fotografias de bonecas desmembradas usando um formato narrativo em que as esculturas seriam posicionadas de forma a criarem configurações grotescamente sexuais e altamente provocatórias. As bonecas viam-se inseridas em diferentes cenários do mais surrealista imaginário. As imagens resultantes suscitavam um misto de atracção e repulsa. Uma beleza mórbida contida na decadência urbana, erotismo e abuso físico. As bonecas eram também uma arma de combate cerrado ao fascismo da época corrente. Reminiscências de uma cultura que não foi engolida de ânimo leve por Bellmer que passou a utilizar os seus brinquedos de criança para deformar em corpos mutilados de jovens inanimadas.Esta revolta não se tratava de uma simples reprodução do genocídio nazi mas antes de uma ofensiva crítica a uma ideologia do perfeito e puro. A aparência das bonecas assemelha-se a autómatos desequilibrados, reproduções humanas de contornos roliços, e mesmo fálicos, ou simplesmente seres mecanizados sem força motora para agir, nem capacidade para lutar pela sua vida e dignidade.
AS BONECAS DE HANS BELLMER





sábado, 6 de setembro de 2008

PETER HUJAR

FOTOS FANTÁSTICAS








OS HEROIS DE

PETER HUJAR

Joseph Bheus

Beaudelaire

Oscar Wilde

Nietzsche

Susan Sontag

Rimbaud

Path Smith

Francis Bacon

Basquiat

e muitos outros

PETER HUJAR

Um dos mais importantes fotógrafos americanos das décadas de 70/80. Morreu em 1987
Conhecido pelas fotos de travestis como Divina e Candy Darling , cenas do universo gay e retratos de Susan Sontag e Andy Warhol.

Susan Sontag por Peter Hujar

Candy Darling por Peter Hujar

Andy Warhol por Peter Hujar