sábado, 2 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
ARTE FEMINISTA
domingo, 26 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
PEDRAS NOCTURNAS E DIURNAS
Não se pede segredos a uma pedra. Diz-se à criança: «Fica muda, de pedra».
Sempre houve pedras mais pedras que outras que são preciosas, pedras que se tingem das cores que assombram. Pedras que dão sombras para adormecer. Pedras que de noite se escondem no ar, assustam. Pedras que cortam árvores e outras que adormecem a seus pés, lembram rebanhos curvados. Há pedras que estão de cabeça levantada à espera da mão de Deus?
(...)
José Emílio-Nelson
A Alegria Do Mal, Obra Poética I, 1979-2004, Edições Quasi, 2004
domingo, 19 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Algumas palavras sábias de HERMANN HESSE
Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo.O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz. A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente. Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer. A felicidade é amor, só isto. Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito. Mas amar e desejar não é a mesma coisa. O amor é o desejo que atingiu a sabedoria. O amor não quer possuir. O amor quer somente amar.
domingo, 5 de setembro de 2010
PARA SEMPRE (UM ANAGRAMA)
Faço da morte um silêncio longo, de
imagens que perpassam entre a música,
lentamente perco a lucidez, não sei onde estou,
incide em mim a pálida luz da loucura e
perco-me a querer dizer-te o nome
entre todas as palavras vãs que fazem o dia.
Procuro entre as vozes um momento
em que regresses, e desta vez me toques,
rasando o que em mim é
desejo e paixão e devaneio, no
interior da tristeza,
do cessar fogo, do
olho do relógio que vê além da meia-noite.
Perco a vida
ao dar-me assim, sem contrapartidas,
rente à morte que
antevejo quando te olho nos olhos.
Silêncio e dor, uma casa vazia
em que a única luz é ainda a
memória de te encontrar,
penetrando as trevas a que me
rendi e saindo triunfante e
eternamente sem mim.
Lisboa, 15.3.10
JOÃO BORGES
imagens que perpassam entre a música,
lentamente perco a lucidez, não sei onde estou,
incide em mim a pálida luz da loucura e
perco-me a querer dizer-te o nome
entre todas as palavras vãs que fazem o dia.
Procuro entre as vozes um momento
em que regresses, e desta vez me toques,
rasando o que em mim é
desejo e paixão e devaneio, no
interior da tristeza,
do cessar fogo, do
olho do relógio que vê além da meia-noite.
Perco a vida
ao dar-me assim, sem contrapartidas,
rente à morte que
antevejo quando te olho nos olhos.
Silêncio e dor, uma casa vazia
em que a única luz é ainda a
memória de te encontrar,
penetrando as trevas a que me
rendi e saindo triunfante e
eternamente sem mim.
Lisboa, 15.3.10
JOÃO BORGES
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A infância é um susto. Sofre as metamorfoses do medo. A infância está calada, move-se como coluna de mármore, como réptil que cresce por detrás do mar.
A infância traz a bandeira da morte. Branca. Tão branca como o sexo dos anjos.
Na infância criam-se ocupações abstractas que mover-nos-ão enquanto vivos. São incompreensão, vazio, sono, doença.
ISABEL DE SÁ
O Festim das Serpentes Novas, Brasília Editora, Porto, 1982
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
POMPE INUTILI
para a Silvina Rodrigues Lopes
Ninguém nasce; seria descabido
chamar alguém aos resíduos
de placenta que envolvem
um conjunto de orgãos
a tudo ou quase tudo predispostos.
Só os mortos, verdadeiramente,
existem. Escreveram ou não
escreveram livros, cartas de amor,
diários. Não importa: cruzaram-se
connosco, sentaram-se por vezes
à mesma mesa, acreditaram até
no terno suplício do amor.
E tinham mãos reais, ao tocarem
o rosto imberbe de que se despediam.
Um beijo, sobre rugas apenas,
conseguia tornar menos frias as manhãs.
Despedem-se muito mal, os mortos.
Embora, por uma vez, sejam
exactos e sinceros - no momento
em que descem à terra e nos impedem
de partilhar com eles um cigarro,
o último copo, uma espécie de destino.
São terrivelmente reais, os mortos.
A vida inteira não chega
para que possamos matá-los a todos,
um a um, como decerto aconselharia
a mais elementar higiene metafísica.
Dão-nos, contudo, a força necessária
para morrer cada vez mais, tolerando
dias de aluguer, casas ligeiramente
inabitáveis. Porque os outros, na
verdade, não passam de mortos imperfeitos.
Estão, como nós,um pouco demasiado vivos.
Talvez um dia, porém, venham a
assinar um poema assim (e pode até não ser
um poema, muito menos assim), em que se note,
além das influências óbvias, uma certa
- digamos - especialização no horror.
Pois é disso apenas que se trata.
Os mortos sabem-no.
A sabedoria é inútil.
A poesia também.
MANUEL DE FREITAS
A Última Porta, selecção e posfácio de José Miguel Silva, Assírio & Alvim, 2010
Ninguém nasce; seria descabido
chamar alguém aos resíduos
de placenta que envolvem
um conjunto de orgãos
a tudo ou quase tudo predispostos.
Só os mortos, verdadeiramente,
existem. Escreveram ou não
escreveram livros, cartas de amor,
diários. Não importa: cruzaram-se
connosco, sentaram-se por vezes
à mesma mesa, acreditaram até
no terno suplício do amor.
E tinham mãos reais, ao tocarem
o rosto imberbe de que se despediam.
Um beijo, sobre rugas apenas,
conseguia tornar menos frias as manhãs.
Despedem-se muito mal, os mortos.
Embora, por uma vez, sejam
exactos e sinceros - no momento
em que descem à terra e nos impedem
de partilhar com eles um cigarro,
o último copo, uma espécie de destino.
São terrivelmente reais, os mortos.
A vida inteira não chega
para que possamos matá-los a todos,
um a um, como decerto aconselharia
a mais elementar higiene metafísica.
Dão-nos, contudo, a força necessária
para morrer cada vez mais, tolerando
dias de aluguer, casas ligeiramente
inabitáveis. Porque os outros, na
verdade, não passam de mortos imperfeitos.
Estão, como nós,um pouco demasiado vivos.
Talvez um dia, porém, venham a
assinar um poema assim (e pode até não ser
um poema, muito menos assim), em que se note,
além das influências óbvias, uma certa
- digamos - especialização no horror.
Pois é disso apenas que se trata.
Os mortos sabem-no.
A sabedoria é inútil.
A poesia também.
MANUEL DE FREITAS
A Última Porta, selecção e posfácio de José Miguel Silva, Assírio & Alvim, 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
GRAÇA MARTINS - SWEET DREAMS ARE MADE OF THIS...
Para que haja amor, é preciso que o amante faça germinar possibilidades lactentes ou oprimidas do nosso ser.
Para dar lugar ao novo, o sujeito tem antes de destruir activamente tudo o que existe. E o que foi criado pelo amor só pode ser destruído por uma paixão igualmente violenta, o ódio. O ódio como libertação, o ódio como destruição, o ódio que separa, quebra e aniquila.
Vingar-se significa remeter para o futuro um acto de destruição que devíamos ter realizado logo, mas que não pudemos fazer. A vingança mantém vivo o passado, mas mantém-no vivo sob a forma de dever de destruição. A VINGANÇA DÁ UM GRANDE PRAZER, PORQUE NOS PERMITE IMAGINAR FAZER MAL AO OUTRO INÚMERAS VEZES. (…)
Francesco Alberoni
As palavras de Alberoni dão corpo à realização do meu trabalho intitulado SWEET DREAMS ARE MADE OF THIS…
Numa almofada igual a dezenas de almofadas, encontra-se o momento do pensamento invasivo que habita a insónia. Os momentos doces, que se revelaram em traição, rejeição e dão lugar à angústia.
A incompreensão das palavras, das cartas. Os lamentos. O desejo de reparação, de vingança.
O coração ferido ou ambos os corações feridos. A crueldade das palavras.
Os corações estão presos, atados ainda a pensamentos que os atingiram como facas.
As rosas oferecidas transportam um veneno mortífero. O veneno da ilusão, do equívoco.
A ilusão do amor, da paixão…
CONVITE
O COLECTIVO TENDA DE SAIAS CONVIDOU 3 ARTISTAS PLÁSTICAS
A PARTICIPAR NA PEÇA CEM LAMENTOS
ANA PEREIRA
GRAÇA MARTINS
MARIANA BACELAR
http://cemlamentos.blogspot.com
A PARTICIPAR NA PEÇA CEM LAMENTOS
ANA PEREIRA
GRAÇA MARTINS
MARIANA BACELAR
http://cemlamentos.blogspot.com
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Poderia gastar muita tinta a escrever sobre um corpo ou vários. Porém apenas o instante do encontro é precioso. Viver a cena sem palavras, o ritual.Na penumbra os corpos tocam-se antes da sílaba inaugural. Começar é sempre um escândalo, é desviar a instituição da sua verdadeira finalidade e da sua inocência.
Isabel de Sá
do livro Em Nome do Corpo, edições Rolim. Lisboa, 1986
Isabel de Sá
do livro Em Nome do Corpo, edições Rolim. Lisboa, 1986
STEPPENWOLF - LOBO DA ESTEPE - de HERMANN HESSE - PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA
A BÍBLIA DOS ANOS 60 E 70 - LOBO DA ESTEPE - de HERMANN HESSE
O Lobo da Estepe não é um romance fácil. Ainda mais num mercado que é avesso aos valores que o livro propõe - um mundo em que a ideia de auto conhecimento é valorizada, e se colocam questões sobre os lugares comuns de uma sociedade formatada e repleta de estratégias de marketing e vendas a que chamamos Cultura. O outro "lado", do espírito, da alma, o nosso mundo interior, a nossa "ilha", no conceito de Rousseau, não interessa a ninguém, a não ser a meia duzia de "loucos como nós?", pergunta a dado momento Harry Haller, o protagonista do Lobo da Estepe, um outsider, um misantropo de cinquenta anos, alcoólico e intelectual, invadido pela angústia e que não vê saída para a sua tormentosa condição. Todo o problema do personagem do livro de Hermann Hesse é um permanente mal-estar cuja fonte é a inadequação do seu espírito à sociedade, à "Cultura de Massas" e à vulgarização burguesa da vida e dos valores. É por isso que ele se define como "lobo da estepe". A obra apresenta inspiração surrealista pela valorização do sonho e da fantasia, influências herdadas da psicanálise de Carl Jung e Freud, influências da filosofia oriental e autobiográfico sem sombra de dúvida. Crítico do militarismo alemão, do nacional-socialismo e da guerra, Herman Hesse preocupa-se também com as grandes questões sociais e políticas do seu tempo. Nos seus livros está sempre presente o sonho da conjugação entre a tradição da Ásia e da Europa e a síntese entre o apolíneo e o dionisíaco, profetizada por Nietzsche. Deste pensador o autor herda a ideia de que a vontade de poder, expressa na luta entre valores antagonicos, é que torna a realidade social, política e economica compreensível. É desta noção que surgem as histórias de ambivalência e de tensão humanas que marcam a sua obra. A mensagem que fica deste grandioso romance são as indagações espirituais, comportamentais e de análise da sociedade de Harry Haller, que se configuram como um dos mais completos tratados sobre o ser humano. O personagem principal – que pode ser visto como um alter-ego do autor – dividido entre o seu lado “homem” e o seu lado “lobo”, confrontado por não se encaixar na sociedade mas mesmo assim, a ter que viver nela, a odiar a burguesia sem negar o seu conforto, encontra-se entregue aos seus próprios rumos, trilhando o seu próprio caminho, fazendo novas descobertas, repensando os seus valores e alcançando a felicidade em coisas tidas como impensáveis, anteriormente. Sofrimento, dúvida, perda, desagregação; tudo elevado ao extremo que um ser humano pode suportar, o que faz de o Lobo da Estepe um livro difícil de ser lido não só pela complexidade mas sobretudo pelo profundo questionamento que nos leva a interrogar-nos permanentemente. Haller redescobre-se a si mesmo, depara-se com novos mundos, novos amigos, outras atmosferas, encontra dolorosamente o seu interior para finalmente ser integrado. “Só para Loucos” avisa Hermann Hesse no início do romance. Um conselho que não pode ser desprezado. Enredo original, trama fantástica e envolvente. Clássico indispensável da literatura alemã e mundial, é um livro para quem quer sair do egocentrismo e alcançar o desenvolvimento de forma plena . Neste romance também se compreende que o ser humano é multifacetado, tem muitas vozes dentro de si, divide-se em comportamentos variados e opostos. Um bom romance para férias.
sábado, 14 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Agosto
1.
A tua pele fulminava
o que subsistia de claridade
e de vida.
Tornei-me exterior a tudo.
Os meus amigos reconhecem
mudanças subtis
e quando alguém
me olha, desvio-me.
Os canteiros secos, nas praças
exibem a proximidade da morte
como um aviso.
Temo a agressão silenciosa.
Estar contigo
foi perceber que a dor é definitiva.
Não sei se rejeito totalmente o mundo,
mas relaciono-me com ele
estranhamente.
Agora sei que a morte
pode vir de qualquer parte
em todos os segundos.
Vila Real. 28.8.09
João Borges
A tua pele fulminava
o que subsistia de claridade
e de vida.
Tornei-me exterior a tudo.
Os meus amigos reconhecem
mudanças subtis
e quando alguém
me olha, desvio-me.
Os canteiros secos, nas praças
exibem a proximidade da morte
como um aviso.
Temo a agressão silenciosa.
Estar contigo
foi perceber que a dor é definitiva.
Não sei se rejeito totalmente o mundo,
mas relaciono-me com ele
estranhamente.
Agora sei que a morte
pode vir de qualquer parte
em todos os segundos.
Vila Real. 28.8.09
João Borges
Uma ferida na existência
Deixa o dia cerrar fileiras
depois do cansaço reúne
em teu redor o seu fulgor
derradeiro.
Uma camisa aqui, a escova de dentes,
livros, no chão a alma
suficiente para novos lábios
desfazerem o ferido afecto.
A tua vida espalha-se como o mercúrio
solto há-de voltar a juntar-se
por virtude tua ou coragem
porque mesmo derrotado
o sonho é um abrigo iluminado pela inquietude,
uma ferida na existência.
Fernando Luís Sampaio
de Escadas de Incêndio
depois do cansaço reúne
em teu redor o seu fulgor
derradeiro.
Uma camisa aqui, a escova de dentes,
livros, no chão a alma
suficiente para novos lábios
desfazerem o ferido afecto.
A tua vida espalha-se como o mercúrio
solto há-de voltar a juntar-se
por virtude tua ou coragem
porque mesmo derrotado
o sonho é um abrigo iluminado pela inquietude,
uma ferida na existência.
Fernando Luís Sampaio
de Escadas de Incêndio
I - Credo quia absurdum
Creio na vastidão ilimitada dos amores humanos
esses amores que se fundem com os domínios
inelutáveis da dor: o amor, essa claridade
que não alcançou em nossos dias
a recôndita certeza dos deuses
Amores
frágeis sob o voo irisado das aves, amores
de uma noite profunda ou de uma tarde amena
entre o regaço de outras mãos. Amores
de um país onde tudo se esquece entre
uma aurora e outra.
Paulo Teixeira
de As Imaginações da Verdade
esses amores que se fundem com os domínios
inelutáveis da dor: o amor, essa claridade
que não alcançou em nossos dias
a recôndita certeza dos deuses
Amores
frágeis sob o voo irisado das aves, amores
de uma noite profunda ou de uma tarde amena
entre o regaço de outras mãos. Amores
de um país onde tudo se esquece entre
uma aurora e outra.
Paulo Teixeira
de As Imaginações da Verdade
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
COMO ESQUECER - da realizadora brasileira Malu de Martino, com Ana Paula Arósio.
Alguns momentos na vida de uma professora de literatura inglesa, lésbica, que luta para recomeçar a sua vida após um desgosto de amor. O filme estreia em Outubro no Brasil, espero que chegue a Portugal.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
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