
sábado, 8 de janeiro de 2011
CLARICE LISPECTOR
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. ...Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
O Livro dos Amantes
IX
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
Natália Correia
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
UM NOVO ESPAÇO NO PORTO - Peças de HELENA CARDOSO e outros DESIGNERS.
no feminino com
RESTAURANTE /CAFÉ
LIVRARIA & PEÇAS DE AUTOR
Praça Carlos Alberto, 89
www.nofemininocom.pt
Foto de César Romão
figuras femininas no painel
Guilhermina Suggia
Aurélia de Sousa
Dona Antónia Adelaide Ferreira
Rosa Ramalho
Carolina Michaelis
Uma Mulher do Povo
Sophia de Mello Breynner Andresen




RESTAURANTE /CAFÉ
LIVRARIA & PEÇAS DE AUTOR
Praça Carlos Alberto, 89
www.nofemininocom.pt
Foto de César Romão
figuras femininas no painel
Guilhermina Suggia
Aurélia de Sousa
Dona Antónia Adelaide Ferreira
Rosa Ramalho
Carolina Michaelis
Uma Mulher do Povo
Sophia de Mello Breynner Andresen
sábado, 1 de janeiro de 2011
HAMLET de SHAKSPEARE - a Rainha comunica o afogamento de OFÉLIA.
Entra a Rainha.
RAINHA
Uma desgraça nunca vem só!
Uma doutra logo vem no encalço
E logo a seguir: Vossa irmã, Laertes, afogou-se.
LAERTES
Afogada!? Oh! Aonde?
RAINHA
Há um salgueiro à beira de um regato
No cristal da corrente espelhando encanecidas folhas;
Aí foi ela dar com estranhas grinaldas
De rainúnculos, urtigas, margaridas
E das grandes flores purpúreas a que os pastores
De língua solta dão um nome feio
E as nossas raparigas chamam dedos de mortos;
Sua estranha fantástica coroa,
Quebrou-se um tronco invejoso
E ela e seus trofeus floridos
Caíram no regato em pranto!
Enfunaram-se-lhe os vestidos sustendo-a e
Qual nova sereia, cantava velhos cantares,
Pedaços de canções antigas, sempre alheada
De por onde ia ou como criatura
Nativa dessas águas. Mas não foi longe:
Suas vestes empapadas de água
Levaram donzela e seus melodiosos lais
À morte no lodo.
(Quarto acto, Hamlet de Shakespeare, tradução de José Blanc De Portugal, Editorial Presença, 1973
RAINHA
Uma desgraça nunca vem só!
Uma doutra logo vem no encalço
E logo a seguir: Vossa irmã, Laertes, afogou-se.
LAERTES
Afogada!? Oh! Aonde?
RAINHA
Há um salgueiro à beira de um regato
No cristal da corrente espelhando encanecidas folhas;
Aí foi ela dar com estranhas grinaldas
De rainúnculos, urtigas, margaridas
E das grandes flores purpúreas a que os pastores
De língua solta dão um nome feio
E as nossas raparigas chamam dedos de mortos;
Sua estranha fantástica coroa,
Quebrou-se um tronco invejoso
E ela e seus trofeus floridos
Caíram no regato em pranto!
Enfunaram-se-lhe os vestidos sustendo-a e
Qual nova sereia, cantava velhos cantares,
Pedaços de canções antigas, sempre alheada
De por onde ia ou como criatura
Nativa dessas águas. Mas não foi longe:
Suas vestes empapadas de água
Levaram donzela e seus melodiosos lais
À morte no lodo.
(Quarto acto, Hamlet de Shakespeare, tradução de José Blanc De Portugal, Editorial Presença, 1973
Poema publicado no catálogo Metamorfoses de Graça Martins
Ela vem do exterior, arrasta tumultos, ideias, um frágil ramo de árvore. A vida confusa, dividida. Aquilo que é interior e nasce involuntáriamente. Violetas deixadas em água, o desenho incompleto para sempre inútil.
Dizia: Tenho que organizar. Como um esquema. São fotografias. Catalogar. O tempo. Perco-me. Um pormenor, muitas vezes só um pormenor. Não sei como sair de tantos fios.
O instante poético abre caminhos, a fita de veludo prende uma chave. Máscaras de cal quase gesso de tão pouco móveis. Lábios de carmim. Objectos de infância e de morte.
Debruçava-se sobre a imensa folha - redemoinho impossível. A música. O insecto azul-violeta fixo de encontro à parede. A moldura doirada e negra. Um sinal fúnebre. A asa de veludo em relevos aquáticos; o tom insidiosamente devorado pela luz. A bola de cristal ainda na memória.
1981
ISABEL DE SÁ
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
LEYA BARATA - Lançamento de NOVAS CARTAS PORTUGUESAS - 11 de Dezembro - LISBOA
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Sábado 11 de Dezembro - Acontecimento mediático e feminista
Lisboa
lançamento do livro "Novas Cartas Portuguesas"
Sáb 11 Dez 18:30 Livraria LeYa na Barata
Sessão de lançamento do livro "Novas Cartas Portuguesas"
(Dom Quixote),
de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa.
lançamento do livro "Novas Cartas Portuguesas"
Sáb 11 Dez 18:30 Livraria LeYa na Barata
Sessão de lançamento do livro "Novas Cartas Portuguesas"
(Dom Quixote),
de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
sábado, 4 de dezembro de 2010
pastelaria
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante ?
ele há tanta maneira de compor uma estante!
Afinal o que importa é não ter medo:fechar os olhos frente
ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora ? ah, lá fora! ? rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Mário Cesariny
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante ?
ele há tanta maneira de compor uma estante!
Afinal o que importa é não ter medo:fechar os olhos frente
ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora ? ah, lá fora! ? rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Mário Cesariny
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Imagens de exposições e trabalhos do professor e pintor MARTINS LHANO - meu pai e da pintora Isabel Lhano e Bárbara Martins.1926 -1987 (Novembro)
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