PAIXÕES E DESILUSÕES
domingo, 27 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A POÉTICA DO SUICÍDIO EM SYLVIA PLATH
OLMO
Conheço o fundo, diz ela. Cheguei lá com a minha raiz maior:
É disso que tu tens medo.
Mas eu não tenho medo: já lá estive.
É o mar o que houves em mim,
As suas insatisfações?
Ou a voz do nada que era a tua loucura?
O amor é uma sombra.
Como ficas prostrada e chorosa depois
Escuta: são os cascos dele: desapareceu como um cavalo.
Toda a noite vou galopar, assim, impetuosamente,
Até que a tua cabeça fique uma pedra e a tua almofada um pequeno monte de turfa,
Fazendo eco, fazendo eco.
Ou deverei eu trazer-te um som de venenos?
Agora é a chuva, este quase silêncio.
E este é o seu fruto: da cor metálica do arsénico.
Tenho sofrido a atrocidade dos crepúsculos.
Queimados até à raiz
Os filamentos vermelhos ardem, ficam espetados, mão de fios eléctricos.
Um vento tão violento
Não aguenta espectadores: tenho de gritar.
Também da lua ausente a piedade: havia de arrastar-me
Cruel, na sua esterilidade.
O seu esplendor ofusca-me. Ou talvez a tenha agarrado.
Vou deixá-la ir. Vou deixá-la ir
Diminuida e esvaziada, como após uma operação radical.
Como os teus sonhos maus me possuem e alimentam.
Sou habitada por um grito.
Noite após noite bate as asas
Procurando com as garras algo para amar.
Aterroriza-me esta coisa tenebrosa
Que dorme dentro de mim;
Todo o dia sinto o macio voltejar das suas penas, a sua malignidade.
As nuvens passam e dispersam-se.
Serão essas as faces do amor, esfumadas coisas que não se recuperam?
É por isto que perturbo o meu coração?
Sou incapaz de aprender mais.
O que é isto, este rosto
Tão assassino em seus tentáculos estranguladores?-
O seu ácido silvo de serpente.
Petrifica o desejo. Erros que isolam, essas falhas lentas
Que matam, e matam, e matam.
Ariel,tradução de Maria Fernanda Borges, Relógio D'Água, 1996
Conheço o fundo, diz ela. Cheguei lá com a minha raiz maior:
É disso que tu tens medo.
Mas eu não tenho medo: já lá estive.
É o mar o que houves em mim,
As suas insatisfações?
Ou a voz do nada que era a tua loucura?
O amor é uma sombra.
Como ficas prostrada e chorosa depois
Escuta: são os cascos dele: desapareceu como um cavalo.
Toda a noite vou galopar, assim, impetuosamente,
Até que a tua cabeça fique uma pedra e a tua almofada um pequeno monte de turfa,
Fazendo eco, fazendo eco.
Ou deverei eu trazer-te um som de venenos?
Agora é a chuva, este quase silêncio.
E este é o seu fruto: da cor metálica do arsénico.
Tenho sofrido a atrocidade dos crepúsculos.
Queimados até à raiz
Os filamentos vermelhos ardem, ficam espetados, mão de fios eléctricos.
Desfaço-me em bocados de caruma que voam em várias direcções.
Um vento tão violento
Não aguenta espectadores: tenho de gritar.
Também da lua ausente a piedade: havia de arrastar-me
Cruel, na sua esterilidade.
O seu esplendor ofusca-me. Ou talvez a tenha agarrado.
Vou deixá-la ir. Vou deixá-la ir
Diminuida e esvaziada, como após uma operação radical.
Como os teus sonhos maus me possuem e alimentam.
Sou habitada por um grito.
Noite após noite bate as asas
Procurando com as garras algo para amar.
Aterroriza-me esta coisa tenebrosa
Que dorme dentro de mim;
Todo o dia sinto o macio voltejar das suas penas, a sua malignidade.
As nuvens passam e dispersam-se.
Serão essas as faces do amor, esfumadas coisas que não se recuperam?
É por isto que perturbo o meu coração?
Sou incapaz de aprender mais.
O que é isto, este rosto
Tão assassino em seus tentáculos estranguladores?-
O seu ácido silvo de serpente.
Petrifica o desejo. Erros que isolam, essas falhas lentas
Que matam, e matam, e matam.
Ariel,tradução de Maria Fernanda Borges, Relógio D'Água, 1996
BOAS FESTAS E PROSPERIDADE
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
NÃO É PRECISO GRITAR
Exibição do filme UMA PEDRA NO BOLSO de JOAQUIM PINTO
20 ANOS DA MEDEIA FILMES E O CINEMA DE JOAQUIM PINTO
Cinema King - Lisboa - 20 de Dezembro
Exibição do filme Uma Pedra no Bolso de Joaquim Pinto - seguido de debate.
Cinema King - Lisboa - 20 de Dezembro
Presentes : Paulo Branco, Inês de Medeiros, Luís Miguel Cintra, Joaquim Pinto, Vasco, jovens cineastas como João Salaviza (Palma de Ouro no Festival de Cannes, com o filme Arena), Eduarda Chiote (autora do guião do filme - Uma Pedra no Bolso) e muito público interessado.
Poema de Manuel de Freitas
LONELY CHRISTMAS JOINT
Espero que me desculpes a banalidade
do enredo. As primas deitaram-se,
cansadas de povoar o mundo,
e os pais e tios procuram um calor
que não seja ainda a morte.
A Noémia, a avó e a irmã
deixaram entretanto de ser vistas.
Mas trocaram-se prendas, no intervalo
dos sorrisos, e abraços anuais
no intervalo das prendas. O frio, ao menos,
revelou-se coerente e natalício.
Fez durar um pouco mais o coração
refogado, numa adega sem saída.
É sempre assim: há quem se habitue
e há quem fume um charro,
à espera de nenhum poema. As diferenças
tácitas entre os mortos darão esta noite
muito que pensar a Herodes.
TERRA SEM COROA, teatro de vila real, Outubro de 2007
Espero que me desculpes a banalidade
do enredo. As primas deitaram-se,
cansadas de povoar o mundo,
e os pais e tios procuram um calor
que não seja ainda a morte.
A Noémia, a avó e a irmã
deixaram entretanto de ser vistas.
Mas trocaram-se prendas, no intervalo
dos sorrisos, e abraços anuais
no intervalo das prendas. O frio, ao menos,
revelou-se coerente e natalício.
Fez durar um pouco mais o coração
refogado, numa adega sem saída.
É sempre assim: há quem se habitue
e há quem fume um charro,
à espera de nenhum poema. As diferenças
tácitas entre os mortos darão esta noite
muito que pensar a Herodes.
TERRA SEM COROA, teatro de vila real, Outubro de 2007
AINDA A FEIRA LAICA - FÁBRICA BRAÇO DE PRATA - 19 DE DEZEMBRO
A tarde era fria, mas o calor humano, rodeado de livros aquecia todos os que trocaram centros comerciais e natalícios, pela visita à Fábrica Braço de Prata, num Sábado à hora do lanche. E cheirava bem. Preparativos para um jantar, noutra sala, e mesinhas repletas de livros a seduzir o olhar dos visitantes.
Manuel de Freitas e Inês Dias, no seu espaço dedicado à Editora Averno. Os livros no seu conjunto destacavam-se pela linha gráfica a que já nos habituamos. LINDOS de morrer.

Manuel de Freitas e Inês Dias, no seu espaço dedicado à Editora Averno. Os livros no seu conjunto destacavam-se pela linha gráfica a que já nos habituamos. LINDOS de morrer.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
15ª FEIRA LAICA - 19 E 20 DE DEZEMBRO
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Esboço Poético Sobre a Pintura de Graça Martins
por Isabel de Sá
A rapariga idealiza infinitamente, os dedos em fios cinzentos, ondulantes na textura. Gaze, figuras nítidas, olhares claros sob o tempo, frágeis metamorfoses.
Meninos em gaze líquido, adolescentes belíssimos num isolamento algo expectante ou buscando seduzir na sua imobilidade. E toda a gaze é água ou nervura, ou fio de pele. Invisível fio que une corpos e corpos num desespero sem fim, onde tudo parece de uma imensa serenidade.
Figuras sonham de encontro ao abismo, o rosto frio, as pálpebras magoadas, o corpo de mármore. Isoladas, figuras feitas de esqueleto e dúbia concentração, dadas a solicitações interiores, deambulam, fixam-se em posições invulgares, num autismo perfeito. Algumas vivem dias seguidos envolvidas em lençois, como coladas às paredes.
Corpos fragmentados por vozes, ruídos dispersos, uterinos.
Que conivência tão forte os une há tanto cansados. Sob a música clara do esquecimento mãos torcem os próprios ossos. Uma hera germina em limitado espaço e a rapariga aparece em plena claridade; um tempo de infância não esclarecido, o corpo em luminosos vermes ou pequeníssimos farrapos, os cabelos - raízes em direcção à terra.
A rapariga desfaz o retrato, lírios como bichos...
Entre nervura e pólen, corpos intactos respiram luz. Ainda.
Ela vem do exterior, arrasta tumultos, ideias, um frágil ramo de árvore. A vida confusa, dividida.
Aquilo que é interior e nasce involuntariamente. Violetas deixadas em água, o desenho incompleto para sempre inútil.
Dizia: Tenho que organizar. Como um esquema. São fotografias. Catalogar. O tempo. Perco-me. Um pormenor, muitas vezes só um pormenor. Não sei como sair de tantos fios.
O instante poético abre caminhos, a fita de veludo prende uma chave. Máscaras de cal quase gesso de tão pouco móveis. Lábio de carmim. Objectos de infância e de morte.
Debruçava-se sobre a imensa folha - redemoinho impossível. A música. O insecto azul-violeta fixo de encontro à parede. A moldura doirada e negra. Um sinal fúnebre. A asa de veludo em relevos aquáticos; o tom insidiosamente devorado pela luz. A bola de cristal ainda na memória.
Texto publicado no JN, página de Cultura, Fevereiro de 1982
domingo, 13 de dezembro de 2009
SERPENTE - REVISTA DE CULTURA E ARTE
1ªedição com uma tiragem de 500 exemplares
esgotou no dia do lançamento - Setembro -1983
2ªedição 500 exemplares - Dezembro 1983
Também esgotada
Arranjo Gráfico - Graça Martins e Isabel de Sá
Administração: Filomena Cabral, Graça Martins
Helga Moreira, Isabel de Sá, Teresa Pinto da Silva,
Zulmira Carvalho Branco
esgotou no dia do lançamento - Setembro -1983
2ªedição 500 exemplares - Dezembro 1983
Também esgotada
Arranjo Gráfico - Graça Martins e Isabel de Sá
Administração: Filomena Cabral, Graça Martins
Helga Moreira, Isabel de Sá, Teresa Pinto da Silva,
Zulmira Carvalho Branco
PALAVRAS
HISTÓRIA LITERÁRIA DO PORTO através das suas publicações periódicas
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O LIVRO PELA CAPA
Visitem o blog dedicado ao amor pelos livros, isto é, pelo requinte gráfico das capas e autores. http://livropelacapa.blogspot.com
Uma abordagem ao gosto artístico das editoras portuguesas, que ao longo de décadas publicaram e continuam, felizmente, a publicar o que de melhor existe na cultura literária contemporânea.
Este blog foi criado pelo jovem João Borges, autor de poemas publicados nas revistas literárias CRÀSE e BRILHO NO ESCURO, vindas a público recentemente.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
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