domingo, 17 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Palavras de JENNY HOLZER
«Na última década, a arte mais ousada tem sido feita pelas mulheres. Em termos psicológicos, o seu trabalho é muito mais extremo que o dos homens.»
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
JOÃO BOTELHO - FILME
Quase trinta anos depois do seu primeiro filme - Conversa Acabada (1981) - construído a partir de poemas e da correspondência de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, o realizador voltou a imergir no universo de Pessoa, atraído pela índole do guarda-livros da Rua dos Douradores, pelos seus apontamentos sobre a luz (ele diz que se devem iluminar os sapatos das pessoas comuns com a mesma luz que se ilumina a cara dos santos"), o abrandamento e a aceleração do tempo (coisas próprias do sonho, e do cinema) -e a sensação de que é um texto para ler em voz alta. "Quero que se oiçam as palavras todas, todas."
fragmento do texto de apresentação, Teatro Nacional de São João, Porto
sábado, 2 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
ARTE FEMINISTA
domingo, 26 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
PEDRAS NOCTURNAS E DIURNAS
Não se pede segredos a uma pedra. Diz-se à criança: «Fica muda, de pedra».
Sempre houve pedras mais pedras que outras que são preciosas, pedras que se tingem das cores que assombram. Pedras que dão sombras para adormecer. Pedras que de noite se escondem no ar, assustam. Pedras que cortam árvores e outras que adormecem a seus pés, lembram rebanhos curvados. Há pedras que estão de cabeça levantada à espera da mão de Deus?
(...)
José Emílio-Nelson
A Alegria Do Mal, Obra Poética I, 1979-2004, Edições Quasi, 2004
domingo, 19 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Algumas palavras sábias de HERMANN HESSE
Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo.O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz. A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente. Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer. A felicidade é amor, só isto. Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito. Mas amar e desejar não é a mesma coisa. O amor é o desejo que atingiu a sabedoria. O amor não quer possuir. O amor quer somente amar.
domingo, 5 de setembro de 2010
PARA SEMPRE (UM ANAGRAMA)
Faço da morte um silêncio longo, de
imagens que perpassam entre a música,
lentamente perco a lucidez, não sei onde estou,
incide em mim a pálida luz da loucura e
perco-me a querer dizer-te o nome
entre todas as palavras vãs que fazem o dia.
Procuro entre as vozes um momento
em que regresses, e desta vez me toques,
rasando o que em mim é
desejo e paixão e devaneio, no
interior da tristeza,
do cessar fogo, do
olho do relógio que vê além da meia-noite.
Perco a vida
ao dar-me assim, sem contrapartidas,
rente à morte que
antevejo quando te olho nos olhos.
Silêncio e dor, uma casa vazia
em que a única luz é ainda a
memória de te encontrar,
penetrando as trevas a que me
rendi e saindo triunfante e
eternamente sem mim.
Lisboa, 15.3.10
JOÃO BORGES
imagens que perpassam entre a música,
lentamente perco a lucidez, não sei onde estou,
incide em mim a pálida luz da loucura e
perco-me a querer dizer-te o nome
entre todas as palavras vãs que fazem o dia.
Procuro entre as vozes um momento
em que regresses, e desta vez me toques,
rasando o que em mim é
desejo e paixão e devaneio, no
interior da tristeza,
do cessar fogo, do
olho do relógio que vê além da meia-noite.
Perco a vida
ao dar-me assim, sem contrapartidas,
rente à morte que
antevejo quando te olho nos olhos.
Silêncio e dor, uma casa vazia
em que a única luz é ainda a
memória de te encontrar,
penetrando as trevas a que me
rendi e saindo triunfante e
eternamente sem mim.
Lisboa, 15.3.10
JOÃO BORGES
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A infância é um susto. Sofre as metamorfoses do medo. A infância está calada, move-se como coluna de mármore, como réptil que cresce por detrás do mar.
A infância traz a bandeira da morte. Branca. Tão branca como o sexo dos anjos.
Na infância criam-se ocupações abstractas que mover-nos-ão enquanto vivos. São incompreensão, vazio, sono, doença.
ISABEL DE SÁ
O Festim das Serpentes Novas, Brasília Editora, Porto, 1982
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
POMPE INUTILI
para a Silvina Rodrigues Lopes
Ninguém nasce; seria descabido
chamar alguém aos resíduos
de placenta que envolvem
um conjunto de orgãos
a tudo ou quase tudo predispostos.
Só os mortos, verdadeiramente,
existem. Escreveram ou não
escreveram livros, cartas de amor,
diários. Não importa: cruzaram-se
connosco, sentaram-se por vezes
à mesma mesa, acreditaram até
no terno suplício do amor.
E tinham mãos reais, ao tocarem
o rosto imberbe de que se despediam.
Um beijo, sobre rugas apenas,
conseguia tornar menos frias as manhãs.
Despedem-se muito mal, os mortos.
Embora, por uma vez, sejam
exactos e sinceros - no momento
em que descem à terra e nos impedem
de partilhar com eles um cigarro,
o último copo, uma espécie de destino.
São terrivelmente reais, os mortos.
A vida inteira não chega
para que possamos matá-los a todos,
um a um, como decerto aconselharia
a mais elementar higiene metafísica.
Dão-nos, contudo, a força necessária
para morrer cada vez mais, tolerando
dias de aluguer, casas ligeiramente
inabitáveis. Porque os outros, na
verdade, não passam de mortos imperfeitos.
Estão, como nós,um pouco demasiado vivos.
Talvez um dia, porém, venham a
assinar um poema assim (e pode até não ser
um poema, muito menos assim), em que se note,
além das influências óbvias, uma certa
- digamos - especialização no horror.
Pois é disso apenas que se trata.
Os mortos sabem-no.
A sabedoria é inútil.
A poesia também.
MANUEL DE FREITAS
A Última Porta, selecção e posfácio de José Miguel Silva, Assírio & Alvim, 2010
Ninguém nasce; seria descabido
chamar alguém aos resíduos
de placenta que envolvem
um conjunto de orgãos
a tudo ou quase tudo predispostos.
Só os mortos, verdadeiramente,
existem. Escreveram ou não
escreveram livros, cartas de amor,
diários. Não importa: cruzaram-se
connosco, sentaram-se por vezes
à mesma mesa, acreditaram até
no terno suplício do amor.
E tinham mãos reais, ao tocarem
o rosto imberbe de que se despediam.
Um beijo, sobre rugas apenas,
conseguia tornar menos frias as manhãs.
Despedem-se muito mal, os mortos.
Embora, por uma vez, sejam
exactos e sinceros - no momento
em que descem à terra e nos impedem
de partilhar com eles um cigarro,
o último copo, uma espécie de destino.
São terrivelmente reais, os mortos.
A vida inteira não chega
para que possamos matá-los a todos,
um a um, como decerto aconselharia
a mais elementar higiene metafísica.
Dão-nos, contudo, a força necessária
para morrer cada vez mais, tolerando
dias de aluguer, casas ligeiramente
inabitáveis. Porque os outros, na
verdade, não passam de mortos imperfeitos.
Estão, como nós,um pouco demasiado vivos.
Talvez um dia, porém, venham a
assinar um poema assim (e pode até não ser
um poema, muito menos assim), em que se note,
além das influências óbvias, uma certa
- digamos - especialização no horror.
Pois é disso apenas que se trata.
Os mortos sabem-no.
A sabedoria é inútil.
A poesia também.
MANUEL DE FREITAS
A Última Porta, selecção e posfácio de José Miguel Silva, Assírio & Alvim, 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
GRAÇA MARTINS - SWEET DREAMS ARE MADE OF THIS...
Para que haja amor, é preciso que o amante faça germinar possibilidades lactentes ou oprimidas do nosso ser.
Para dar lugar ao novo, o sujeito tem antes de destruir activamente tudo o que existe. E o que foi criado pelo amor só pode ser destruído por uma paixão igualmente violenta, o ódio. O ódio como libertação, o ódio como destruição, o ódio que separa, quebra e aniquila.
Vingar-se significa remeter para o futuro um acto de destruição que devíamos ter realizado logo, mas que não pudemos fazer. A vingança mantém vivo o passado, mas mantém-no vivo sob a forma de dever de destruição. A VINGANÇA DÁ UM GRANDE PRAZER, PORQUE NOS PERMITE IMAGINAR FAZER MAL AO OUTRO INÚMERAS VEZES. (…)
Francesco Alberoni
As palavras de Alberoni dão corpo à realização do meu trabalho intitulado SWEET DREAMS ARE MADE OF THIS…
Numa almofada igual a dezenas de almofadas, encontra-se o momento do pensamento invasivo que habita a insónia. Os momentos doces, que se revelaram em traição, rejeição e dão lugar à angústia.
A incompreensão das palavras, das cartas. Os lamentos. O desejo de reparação, de vingança.
O coração ferido ou ambos os corações feridos. A crueldade das palavras.
Os corações estão presos, atados ainda a pensamentos que os atingiram como facas.
As rosas oferecidas transportam um veneno mortífero. O veneno da ilusão, do equívoco.
A ilusão do amor, da paixão…
CONVITE
O COLECTIVO TENDA DE SAIAS CONVIDOU 3 ARTISTAS PLÁSTICAS
A PARTICIPAR NA PEÇA CEM LAMENTOS
ANA PEREIRA
GRAÇA MARTINS
MARIANA BACELAR
http://cemlamentos.blogspot.com
A PARTICIPAR NA PEÇA CEM LAMENTOS
ANA PEREIRA
GRAÇA MARTINS
MARIANA BACELAR
http://cemlamentos.blogspot.com
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
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