terça-feira, 22 de setembro de 2009

REVISTA DE POESIA BRILHO NO ESCURO - FOI NO SÁBADO -19 DE SETEMBRO- LANÇAMENTO DO NÚMERO DE OUTONO - PORTO

Poemas de Paulo da Costa Domingos

Rosa Alice Branco, João Borges

Isabel de Sá e Jorge Melícias

As três primeiras fotos do lançamento, são da Inês Castanheira (Clube Literário do Porto)






































ACONTECEU NO PORTO - LANÇAMENTO DA REVISTA DE POESIA BRILHO NO ESCURO - PALACETE DOS VISCONDES DE BALSEMÃO

Alguns dos poetas e participantes neste lançamento.

JOÃO BORGES, ISABEL DE SÁ, NUNO BRITO

MARIA BOCHICCHIO, SUSANA GUIMARÃES, RUI PENA,

INÊS CASTANHEIRA, GRAÇA MARTINS, DINA















































































O estilo é uma arte de bem dizer o que se pensa. Se não se pensa, se não se tem nada a dizer, qual é o estilo? Arabescos no vazio não me interessam.


Yvette K. Centeno

terça-feira, 15 de setembro de 2009

LEILÃO DOS HOMENS T - 19 DE SETEMBRO- SÁBADO - 15H. AV. DOS ALIADOS - PORTO

O MEU HOMEM T FOI A LEILÃO E JÁ NÃO É MEU


















ATENÇÃO
Depois do lançamento - no dia 19 de Setembro
a revista estará disponível em:
PORTO - POETRIA (perto da Praça Carlos Alberto) e GATO VADIO (Rua do Rosário)
LISBOA - Banca da FRENESI - Aos Sábados - na Rua Anchieta (perto do café A Brasileira)

domingo, 13 de setembro de 2009

RENTRÉE NO PORTO

ENTRADA LIVRE
SÁBADO - 19 DE SETEMBRO - PORTO
pelas 21.30h. Palacete dos Viscondes de Balsemão
Praça de Carlos Alberto
LANÇAMENTO DO 2ºnúmero da revista de Poesia
BRILHO NO ESCURO
Tiragem de apenas 150 exemplares
Colaboração dos poetas:

ISABEL DE SÁ
JOÃO BORGES
JORGE MELÍCIAS
PAULO DA COSTA DOMINGOS
ROSA ALICE BRANCO

Colaboração da livraria de poesia e teatro
POETRIA

2ºNÚMERO - OUTONO







ANNA PONOMAREVA











quarta-feira, 9 de setembro de 2009












Quadro de Isabel de Sá, acrilico e colagem s/tela, 2008

Paulo da Costa Domingos
Fragmento de NARRATIVA
frenesi, Lisboa, 2009
(...)
À escala da Via Láctea, mais nos vale ficar quietos. Ouvir com atenção uma sonata de Schubert (D821), sentida por Rostropovich e Britten: ou voltar a Elizabeth Wallfisch/Richard Boothby/Robert Woolley (LA Folia). Não mais poderei dizer, como Baudelaire, referindo-se à sua meninice, «eu era tão alto como um in-fólio», nem como Cervantes, que «passo as noites em claro e os dias na escuridão». De idêntico modo é-me impossível garantir-vos que, para melhor, deviéis tudo abandonar, num quietismo necessariamente comprometido com as forças trabalhadeiras da morte. Entendo que vos seja possível sentir já o cansaço de uma pertinência de que, porventura, não partilhais; e que nada tereis colhido, pois, na leitura. »De facto, o que escrevi não contém, em particular, nenhuma pretensão a novidade», até Wittgenstein o disse em Viena; mas permiti-me - filhos, netos, bisnetos da guerra civil intermitente, enfants perdus a quem Shakespeare exortaria: Ah, como a vida é breve; se vivemos, vivemos para derruir o que nos oprime»-,(...)
Olho-te e penso naquele poeta que fala da loneliness of much beauty. Quantas vezes nos sentimos extraordinariamente sós embora sentindo-nos felizes. O amor é impossível mesmo quando possível.
Ana Hatherly

Um livro abandonado numa prateleira é uma munição desperdiçada.

Henry Miller

terça-feira, 8 de setembro de 2009

8 DE SETEMBRO DE 2009

Foto de Isabel de Sá por Graça Martins
















POEMA DE ISABEL DE SÁ

SERÁ NO PRÓXIMO SÉCULO?

O nosso amor arrasou cidades. Éramos
muito jovens e pensávamos assim.
O mundo pertencia-nos. Ninguém
percebia mas nós vivíamos contra
tudo - era um acto político

Assim alguns seres no mundo
construíram vidas, amaram
e sofreram isolados, por vezes
espoliados, queimados na fogueira.

Mas o nosso amor resistirá
às fronteiras, aos muros de fogo
e à injustiça. Gostaríamos de viver
o tempo da verdadeira transformação,
da felicidade universal.

domingo, 30 de agosto de 2009

Desenho de RUI PAES
Colecção Particular de Graça Martins

Dois poemas de EUGÉNIO DE ANDRADE

O SORRISO

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
DE PASSAGEM

Os Dioscuros. Eu vi-os numa praça de Roma, era de noite
levavam os cavalos pela mão. O seu olhar era oblíquo à passagem
das raparigas, mas era um para o outro que sorriam.
OS DIOSCUROS
Desenho de RUI PAES
Colecção Particular de Graça Martins

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Foto de Graça Martins



5 POEMAS de

ISABEL DE SÁ

Lembrar-te, é amar os corpos que partilhamos. O que me atrai em ti pertence à sabedoria do texto, à primeira palavra murmurada. O que me atrai no amor é a indeterminação, o impulso inicial. Os rostos que amei na tua ausência foram tocados por ti através da minha pele. Ninguém pode esclarecer a sua alma à margem deste pacto. O nosso amor desfaz o trio.
É na treva que sou obrigada a reconhecer o que escrevo. Sucumbo a uma grave abstracção de pensamento donde chego a sair tocada pela invocação da palavra.


DANCEI CONTIGO

Dancei contigo ao som
de uma canção sentimental
da minha adolescência. No teu pescoço
o perfume, sobre a mesa o desenho
por pintar, a luz do candeeiro,
a caixa de aguarelas Rembrandt.

Releio os poemas
do que nasceu em quarenta e cinco
e, na cassete, a canção chega ao fim.

Dancei contigo beijando-te
o pescoço, a pele bronzeada
do sol deste Verão.


Só o lume dos teus beijos rompe
a treva onde a solidão nos mata.
Enrolamos a vida no escuro,
na semente de um amor atribulado.

Conhecemos o ritmo e a sede,
a convulsão do desamparo.
No sentido do corpo, no acerto
desce a força pelos braços
na violenta festa do prazer.

Tudo o que disseste
no desaforo da paixão
só podia incendiar a vida inteira
e encher de esperança o universo.


REALIDADE

Por causa de um livro
vieste ao meu encontro.
Era Verão, não sabias de nada
nem isso interessava. Palavras
amavam-se fora de ti,
no atropelo das emoções.
Lá chegaria a primeira vez,
o encontro apressado num lugar
público. Desfeito o erro
ao toque da pele, não sei
se havia medo, a paixão queria-me
no lugar exacto do teu coração.
Palavras enrolaram-se na sombra
da vida a dor do sentimento.

Atingido o espírito, o tempo
da infãncia, a realidade. Em ti
a solidão que o prazer
não mata. Quero a beleza
dos versos revelada.
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê.




CELEBRAÇÃO
Que dizer do surto de afecto unindo o que parecia desligado, não sabemos, Partilhamos a indeterminação, o lume de um instante.
Ela geme porque sente a carícia e a dureza desse caule e abre-se até onde não é mais possível. Penetro em ti o centro donde irradia o prazer, repetes o gesto, violentas o que se esconde nesta noite de Setembro, na celebração da própria vida. Os corpos exigem intimidade recíproca. Há um sentido subterrâneo neste encontro.
Repetir o Poema, colecção Finita Melancolia, Quasi Edições, Famalicão, 2005

5 poemas de

JOAQUIM MANUEL MAGALHÃES


Era como estar só. Mas
estar só e feliz.
A varanda envidraçada,
o cheiro do café, um ramo
chamado sono.
Sombras de sol batiam
no chão de madeira velha.
Restos de água da noite
brilhavam nos vidros
os primeiros insectos.
A maresia das aves costeiras
lanceoladas de luz.
Os olhos pousavam à espera
de te voltar a ver.


Estava ali por esse dia.
Diante da janela, além
nos bancos de trás. Sorriu,
o ar ergueu-se em labirintos,
a tarde pousou-lhe na tez.
A cultura tornou-se um conflito
de desalento. No fim da aula
fomos tomar café.

Diante dos outros tocava só
na sua chávena, no maço
dos cigarros, era o seu corpo
que eu queria atingir.

Não és real, eu não existo.
Raizes desertas do auriga.


De novo o perfume se sentava
sereno e moreno no lugar
ao meu lado do carro, ia
pela noite de verão até
à sua casa, crescia
para a porta por abrir.

E voltava-se e ria e pedia
um último beijo com as luzes
nos máximos para ninguém
nos ver. Os pés hesitam no
asfalto, as mãos remordem
a beira da janela.


olhava nos meus ombros
o peso do seu pior adeus.


O cabelo rasgado de carícias, o orvalho da camisa.
Peguei no vidro dos sais, no sabonete
com musgo de linho, no ígneo frasco
de champô à névoa tão tensa
da lâmpada turva. O sândalo,
o bálsamo servo com vapor de mal.

Quando danço contigo as romãs do jardim
ardem no seu sangue. Quando danço contigo
no terror do salão tu és a viagem
mais rápida do meu olhar. Pego num copo
donde te vi beber e esmago-o
como se te apertasse a mão.


Meu amigo, amigo que depois foste de nós dois,
abençoado de rosto e corpo, gardasses-me tu
na convulsão de tábuas de um abraço,
nessa prisão que na altura não entendi.
Seria agora um galardão, uma honra tão alta
na memória, não apenas uma noite,
dessas curvadas pela despedida. Desse-me Deus
de novo, meu amigo, o torreão, a desordem , os teus passos,
esses laços que podia ser eu a desatar. Nada
em toda a extensão e duração do mundo
desejava mais do que dizer-te: foste
quem naufragou em maior temor e amor
a minha, a nossa - é difícil dizer - vida.


Uma luz com um toldo vermelho, colecção forma, Editorial Presença, Lisboa, 1990


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Criei um blogue dedicado ao meu trabalho plástico, gráfico e fotográfico.
GRAÇA MARTINS A FIGURA E O SEU DUPLO
http://afiguraeoseuduplo.blogspot.com
Espero pela vossa visita

sábado, 22 de agosto de 2009

A poeta e pintora Isabel de sá tem um blogue dedicado exclusivamente à sua obra literária e plástica. Quem o visitar encontra livros, criticas, poemas e pintura.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009













Postagem dedicada ao PCD
A BELEZA DAS IMAGENS INTIMISTAS NO CINEMA DE TARKOVSKI
Andrei Tarskovsky (ou Tarkovski) nasceu a 4 de abril de 1932, em Sawraschje, perto de Moscovo . Morreu em Paris em 1986. Foi um dos mais criativos, inovadores e importantes cineastas surgidos no cinema soviético. A sua obra é atravessada por um caráter introspectivo, complexo e onde as questões humanas são colocadas em primeiro plano.
Filho do poeta russo Arseni Tarkovski, autor de muitos dos poemas recitados nos seus filmes. Formado em Geologia, abandona a profissão para se dedicar ao cinema. Em 1960 dirige o seu primeiro filme - O Rolo Compressor e O Violinista e em 1962 ganha o Leão de Ouro no Festival de Veneza com o seu segundo trabalho - A Infância de Ivan.
Com o ambicioso filme Andrey Rublev (1966), sobre a vida do famoso pintor russo, o realizador apresenta características que formariam a base principal de seu cinema: intimista, conciso e com atenção para os pormenores. Em 1972 lança Solaris, um filme misto de ficção científica e drama existencial, com discretas citações do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. Esse filme é considerado por muitos o seu melhor trabalho.
Nos seus filmes posteriores, O espelho (1974), filme com traços autobiográficos e principalmente Stalker (1979), são prejudicados pela forte censura existente na URSS. Desiludido com o controle exercido sobre o seu trabalho, Tarkovski decide sair da URSS em 1983. Nesse mesmo ano lança Nostalgia. Ainda, depois de Nostalgia, filmaria O Sacrifício. De personalidade irritadiça e muitas vezes angustiada, o realizador sempre recusou qualquer tipo de influência e controle sobre o seu trabalho. A sua obra é marcada por um profundo sentido espiritual.
O cineasta russo TARKOVSKI