
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Na minha passagem por Lisboa, nestas mini-férias de Páscoa, visitei duas livrarias que me interessaram: Livraria Poesia Incompleta e Letra Livre.
Na Livraria Letra Livre admirei a organização das estantes e o destaque por editoras.
Uma prateleira de comprimento razoável, para os livros da editora de culto & etc, do meu querido amigo Vitor Silva Tavares, outras para os livros da editora Averno, Frenesi e muitas mais. Os livros alinhados, bem conservados. Algumas raridades.
Falo destas editoras porque os livros expostos são essencialmente de POESIA.

Foto de Hedi Slimane
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Livraria de POESIA Poesia Incompleta
Estive uns dias em Lisboa e adorei conhecer o Changuito e a sua Livraria.
O respirar de um conceito de livraria, o respeito pelos autores/obras.
http://poesia-incompleta.blogspot.com/

Estive uns dias em Lisboa e adorei conhecer o Changuito e a sua Livraria.
O respirar de um conceito de livraria, o respeito pelos autores/obras.
http://poesia-incompleta.blogspot.com/
domingo, 5 de abril de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
A PROPÓSITO DA PÁTRIA
(...)
(...)
Mas quanto mais infantilizados e incultos nos tornarmos, mais facilmente seremos dominados, tal como o fomos quando éramos maioritariamente analfabetos. Ler e dar a ler livros de qualidade não poderia então ser um dos nossos deveres para com a pátria?»
Maria do Rosário Pedreira
(...)
Comboios apitam, o vento mudou,
nublou-se o céu. O povo tem
uns trocos, vai a todo o lado.
Tem aquele gosto ofuscante
no vestuário e cospe para o chão.
Na classe política muitos javardos
aprendem com o livre trânsito.
Aparentam serenidade, apenas
um sorriso para encobrir a vergonha,
a pobreza de sermos tão sós. Os hoteis
de luxo repletos de turistas
da Comunidade. Vestem calções,
calçam chinelos de piscina, sentem-se
à vontade na pátria de Camões.
(...)
Isabel de Sá, Erosão de Sentimentos, 1994/1996. Décimo terceiro livro, integrado em Repetir o Poema, Quasi edições, 2005
Poema de Jaime Gil de Biedma
Imagina agora que tu e eu
muito tarde na noite
vamos falar de homem para homem, finalmente.
Imagina-o,
numa dessas noites memoráveis
de rara comunhão, com a garrafa
meio vazia, os cinzeiros sujos,
e depois de esgotado o tema da vida.
Que te vou mostrar um coração,
um coração infiel,
nu da cintura para baixo,
leitor hipócrita - mon semblable, - mon frère!
Porque não é a impaciência do buscador de orgasmos
que me atira do corpo para outros corpos
jovens, se for possível:
procuro também o doce amor,
o terno amor que adormeça a meu lado
e alegre a minha cama ao acordar,
próximo como um pássaro.
Se jamais posso despir-me,
se nunca pude penetrar nuns braços
sem sentir - ainda que só por um momento -
igual deslumbramento que aos vinte anos!
Para saber de amor, para aprendê-lo,
ter estado sozinho é necessário.
E é necessário em quatrocentas noites
- com quatrocentos corpos diferentes -
ter feito amor. Que seus mistérios,
como disse o poeta, são da alma,
mas um corpo é o livro onde se lêem.
E por isso me alegro de me ter rebolado
sobre a areia espessa, os dois meio vestidos,
enquanto buscava esse tendão do ombro.
Comove-me a lembrança de tantas ocasiões...
Aquela estrada de montanha
e os bem empregados abraços furtivos
e o instante indefeso, de pé, após a travagem,
colados contra o muro, ofuscados pelas luzes.
Ou aquele entardecer perto do rio,
nus e a rir-nos, coroados de hera.
Ou aquele portal em Roma - em via del Babuino.
E lembranças de caras e cidades
quase desconhecidas, de corpos entrevistos,
de escadas sem luz, de camarotes,
de bares, de passagens desertas, de prostíbulos,
e de infinitas barracas de praia,
de fossos de um castelo.
Lembranças vossas, sobretudo,
oh noites em hoteis de uma só noite,
definitivas noites em sórdidas pensões,
em quartos recém-frios,
noites que devolveis a vossos hóspedes
um esquecido sabor a si próprios!
A história em corpo e alma, como uma imagem destruída,
de la languer goutée à ce mal d'être deux.
(...)
Embora saiba que nada me valeriam
trabalhos de amor disperso
se não houvesse o verdadeiro amor.
Meu amor,
imagem total da minha vida,
sol das próprias noites que lhe roubo.
(...)
Imagina agora que tu e eu
muito tarde na noite
vamos falar de homem para homem, finalmente.
Imagina-o,
numa dessas noites memoráveis
de rara comunhão, com a garrafa
meio vazia, os cinzeiros sujos,
e depois de esgotado o tema da vida.
Que te vou mostrar um coração,
um coração infiel,
nu da cintura para baixo,
leitor hipócrita - mon semblable, - mon frère!
Porque não é a impaciência do buscador de orgasmos
que me atira do corpo para outros corpos
jovens, se for possível:
procuro também o doce amor,
o terno amor que adormeça a meu lado
e alegre a minha cama ao acordar,
próximo como um pássaro.
Se jamais posso despir-me,
se nunca pude penetrar nuns braços
sem sentir - ainda que só por um momento -
igual deslumbramento que aos vinte anos!
Para saber de amor, para aprendê-lo,
ter estado sozinho é necessário.
E é necessário em quatrocentas noites
- com quatrocentos corpos diferentes -
ter feito amor. Que seus mistérios,
como disse o poeta, são da alma,
mas um corpo é o livro onde se lêem.
E por isso me alegro de me ter rebolado
sobre a areia espessa, os dois meio vestidos,
enquanto buscava esse tendão do ombro.
Comove-me a lembrança de tantas ocasiões...
Aquela estrada de montanha
e os bem empregados abraços furtivos
e o instante indefeso, de pé, após a travagem,
colados contra o muro, ofuscados pelas luzes.
Ou aquele entardecer perto do rio,
nus e a rir-nos, coroados de hera.
Ou aquele portal em Roma - em via del Babuino.
E lembranças de caras e cidades
quase desconhecidas, de corpos entrevistos,
de escadas sem luz, de camarotes,
de bares, de passagens desertas, de prostíbulos,
e de infinitas barracas de praia,
de fossos de um castelo.
Lembranças vossas, sobretudo,
oh noites em hoteis de uma só noite,
definitivas noites em sórdidas pensões,
em quartos recém-frios,
noites que devolveis a vossos hóspedes
um esquecido sabor a si próprios!
A história em corpo e alma, como uma imagem destruída,
de la languer goutée à ce mal d'être deux.
(...)
Embora saiba que nada me valeriam
trabalhos de amor disperso
se não houvesse o verdadeiro amor.
Meu amor,
imagem total da minha vida,
sol das próprias noites que lhe roubo.
(...)
sexta-feira, 3 de abril de 2009
domingo, 29 de março de 2009
POESIA IN POESIA IN POESIA IN
No próximo Domingo - 5 de Abril
Poetas Emergentes no espaço BREYNER85
Porto - Rua do Bryner 85 - 18horas
Poemas de Pedro S.Martins, Susana Guimarães,
Luís Pedro Afonso, Pedro Tavares, João Borges,
Nuno Brito,Bruno Brasil, Jorge Afonso e Marco Dias
Sessão organizada pela Poetria
No próximo Domingo - 5 de Abril
Poetas Emergentes no espaço BREYNER85
Porto - Rua do Bryner 85 - 18horas
Poemas de Pedro S.Martins, Susana Guimarães,
Luís Pedro Afonso, Pedro Tavares, João Borges,
Nuno Brito,Bruno Brasil, Jorge Afonso e Marco Dias
Sessão organizada pela Poetria
sábado, 28 de março de 2009
Poema de JOÃO BORGES
Lá ao longe está a vida, e eu aqui a vê-la decorrer sem tomar parte nela.
Sinto por vezes que tenho muita idade. Estou cansado e desiludido. É como se tivesse feito um percurso e o fim dele se aproximasse já.
Talvez seja mesmo isso.
Sei que dentro de mim, alastra esta tristeza e a vontade de não estar aqui. Fora de mim, este largo é caótico, são os carros que quase se atropelam, as pessoas velhas, feias, mal vestidas e quando falam parecem alucinadas; uns quantos jovens, alguns mais velhos que eu, não têm noção de que mundo é este e entregam-se de olhos fechados ao paraíso que outros ficcionaram para eles.
Dentro de mim , a solidão de um amor que se desfaz e se repete, corroendo-me. Tudo é negro e cansativo. Há o silêncio que equivale à morte e o meu cadáver esquecido no deserto.
No entanto o coração insiste em bater, os pulmões respiram e acabo por viver mais um dia e mais outro, paredes -meias com este pesadelo.
Sinto por vezes que tenho muita idade. Estou cansado e desiludido. É como se tivesse feito um percurso e o fim dele se aproximasse já.
Talvez seja mesmo isso.
Sei que dentro de mim, alastra esta tristeza e a vontade de não estar aqui. Fora de mim, este largo é caótico, são os carros que quase se atropelam, as pessoas velhas, feias, mal vestidas e quando falam parecem alucinadas; uns quantos jovens, alguns mais velhos que eu, não têm noção de que mundo é este e entregam-se de olhos fechados ao paraíso que outros ficcionaram para eles.
Dentro de mim , a solidão de um amor que se desfaz e se repete, corroendo-me. Tudo é negro e cansativo. Há o silêncio que equivale à morte e o meu cadáver esquecido no deserto.
No entanto o coração insiste em bater, os pulmões respiram e acabo por viver mais um dia e mais outro, paredes -meias com este pesadelo.
Poema de JOÃO RIOS
apressavam os verbos as mulheres sentadas mudando a natureza escondiam os homens obscurecendo os lugares e mergulhavam
para a usura dos dedos
absorvendo a música de um dévio rumor de erecção revolvendo águas
aclarando-se em golpes alçavam as suas guelras e guiavam os nomes mais
para dentro dos demónios de um amor sem salvação um amor ocupado
por estreitas redes de entenebrecer
absorvendo a música de um dévio rumor de erecção revolvendo águas
aclarando-se em golpes alçavam as suas guelras e guiavam os nomes mais
para dentro dos demónios de um amor sem salvação um amor ocupado
por estreitas redes de entenebrecer
Poema do livro "O Ópio da Tempestade", 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009

Borderline Case, acrílico s/tela, 80x120cm, 1992
Na próxima Sexta-Feira, 27 de Março, vou estar presente numa aula de História de Arte, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a convite da Dra. Leonor Barbosa Soares. Irei falar do meu percurso artístico, projectar trabalhos e apresentar alguns exemplos da minha obra gráfica como Designer. Quem quiser pode assistir. A aula começa às 17.30h, no 2ºpiso da Faculdade.
segunda-feira, 23 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA
A noite estava fria, muito fria, mas as pessoas permaneciam de pé, algumas sentadas e todas atentas às palavras, aos poemas ditos pelo João Rios, acompanhado pelo seu Colectivo Silêncio da Gaveta. Foi uma sessão de poesia memorável. Poemas de autores indiscutíveis e também de jovens poetas emergentes. Autores como João Borges, Pedro Tavares e outros que, emocionados, ouviram os seus poemas com acompanhamento musical lançados para a noite, em Vila do Conde.
domingo, 15 de março de 2009
No próximo sábado 21 de Março inicia-se a PRIMAVERA
e comemora-se o DIA DA POESIA
Instalação de poemas nas árvores e leitura
pelo colectivo Silêncio da Gaveta.
Acompanhamento musical de Eduardo Patriarca
23h junto ao coreto da Avenida Júlio Graça.
Poemas de vários poetas contemporâneos e de
e comemora-se o DIA DA POESIA
Instalação de poemas nas árvores e leitura
pelo colectivo Silêncio da Gaveta.
Acompanhamento musical de Eduardo Patriarca
23h junto ao coreto da Avenida Júlio Graça.
Poemas de vários poetas contemporâneos e de
poetas emergentes. Paulo da Costa Domingos,
Jorge Velhote, Eduarda Chiote, Helga Moreira,
Pedro Tavares, João Rios, Isabel de Sá,
valter hugo mãe, João Borges e muitos mais.
sábado, 14 de março de 2009
O Fenómeno da Sedução
O fenómeno da sedução possui três características fundamentais: a subjectividade, pois o que fascina uma pessoa pode deixar outra indiferente; a desproporção, já que não existe correlação entre a relevância do estímulo e o seu efeito (um simples perfume pode despoletar uma paixão e um documentário televisivo pode mudar a trajectória profissional de um indivíduo); e a imprevisibilidade, pois a atracção do objecto surge de modo fulgurante, invadindo o espaço da pessoa afectada para modificá-lo ligeiramente ou para desordená-lo por completo. Por tudo isto, a sedução não pode ser pensada, planificada ou explicada a priori, as suas causas só são encontradas depois. Os psicólogos falam dessa flecha instantânea para se referir aos detonadores que iniciam um processo de amizade, uma porta que só abre após a misteriosa faísca que surge no momento em que duas pessoas se conhecem.
Cada um apaixona-se por um tipo de pessoa
No âmbito sentimental acontece o mesmo. Todos acreditamos que se trata do terreno da sedução por excelência, mas uma relação estável baseia-se no carinho, na admiração, no interesse ou noutras razões que fazem que o vínculo seja firme e não necessariamente satisfatório. Por isso, seria melhor falar em paixão, um sentimento que nunca se experimenta por conveniência.
Embora elementos como o dinheiro possam disfarçar de sedutor quem os possui, o processo de deixar-se arrebatar por uma pessoa é sincero, espontâneo e esmagador. Os psicólogos não sabem ao certo por que motivo acontece mas, nas três ou quatro ocasiões em que isso se produz ao longo da vida, rendemo-nos a gente parecida, a pessoas que, embora possam ter aspectos distintos, possuem características fisicas ou psicológicas semelhantes.
O segredo, por conseguinte, não reside no outro e nas suas características, mas sim em nós mesmos e nos nossos próprios gostos. Em concreto, cada qual é sensível a determinadas tipologias humanas, embora, neste jogo, alguns sejam os "engatatões" e outros os propensos a apaixonar-se.
Mais adiante, quando a paixão começa a arrefecer e é substituída pelo amor, o que nem sempre acontece, a sedução perde efervescência e o mistério dilui-se. Nessa altura, conhecemo-nos mais, mas seduzimo-nos menos.
(...) A vida oferece-nos grandes doses de beleza e a passagem do tempo ensinou-nos a saber onde encontrá-la. Ellen S. Berscheid, investigadora e professora da Universidade do Minnesota, estudou o impacto da atracção estética e a influência inconsciente que exerce nas relações interpessoais para chegar a uma conclusão tão indiscutível como injusta: para os favorecidos, a vida é mais fácil.
Devido ao "efeito de halo", como se designa em psicologia esse mecanismo de avaliação cognitivo, as pessoas de aspecto agradável são consideradas mais inteligentes, honestas e benevolentes, ganham mais dinheiro, ocupam cargos mais importantes e casam com maior facilidade. Em definitivo, seduzem.
Texto da psicóloga Pilar Varela, As Chaves Psicológicas da Sedução.
"A sedução está relacionada com o êxito no amor mas não só. Seduzimos de cada vez que comunicamos uns com os outros e conseguimos que a pessoa em causa se sinta atraída por nós. Tem uma carga genética, porque há pessoas mais extrovertidas, que conseguem seduzir mais facilmente, e outras que nem tanto. Mas também têm influência as relações precoces com pais, amigos, professores. Até os mais introvertidos aprendem técnicas para conseguir seduzir. E há quem se sirva dessa introversão para os mesmos fins, conseguindo conquistar de uma forma muito original.
SEDUÇÃO
Seduzir, no dicionário, significa inclinar artificialmente para o mau ou para o erro; enganar ardilosamente; desencaminhar; desonrar, valendo-se de promessas; atrair; encantar; fascinar; revoltar; subordinar para fins sediciosos.
A sedução faz parte do jogo que a própria vida inventou para a continuidade das espécies. Na verdade, é como tudo o que é natural. Todos os seres humanos são sedutores por natureza e a todo momento utilizam essa capacidade, de forma consciente ou não. Quando alguém fala, está tentando "seduzir" os outros para que concordem com a sua opinião. Uma criança, por exemplo, utiliza a sua capacidade de sedução para conseguir dos pais o presente que deseja.
A sedução tem a força de um enigma a resolver: o outro é um enigma e, para seduzi-lo, é preciso ser outro enigma para ele. Seduzir é desviar o outro da sua verdade e essa verdade a partir de então forma um segredo que lhe escapa. É um poder de atracção e de distração, um poder de absorção e de fascinação.
A sedução faz parte do jogo que a própria vida inventou para a continuidade das espécies. Na verdade, é como tudo o que é natural. Todos os seres humanos são sedutores por natureza e a todo momento utilizam essa capacidade, de forma consciente ou não. Quando alguém fala, está tentando "seduzir" os outros para que concordem com a sua opinião. Uma criança, por exemplo, utiliza a sua capacidade de sedução para conseguir dos pais o presente que deseja.
A sedução tem a força de um enigma a resolver: o outro é um enigma e, para seduzi-lo, é preciso ser outro enigma para ele. Seduzir é desviar o outro da sua verdade e essa verdade a partir de então forma um segredo que lhe escapa. É um poder de atracção e de distração, um poder de absorção e de fascinação.
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